Crónica de jogo

A reconquista do Benfica parou no Algarve

“Encarnados” foram derrotados pelo Portimonense, com autogolos de Rúben Dias e Jardel. Equipa de Rui Vitória pode acabar a jornada em quarto lugar.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

Três pontos a jogar bem é sempre o desejável. Três pontos a jogar mal também serve. Zero pontos a jogar mal foi o destino do Benfica nesta quarta-feira, no Algarve, frente ao Portimonense. Tal como já tinha feito diante do Sporting, a formação orientada por António Folha triunfou por 2-0 sobre outro visitante ilustre em jogo da 15.ª jornada. Nenhum dos seus jogadores marcou qualquer dos golos, mas isso é um detalhe que não desvaloriza o triunfo dos algarvios nem ameniza a derrota do Benfica, que pagou mais uma vez o preço das suas próprias limitações. E Rui Vitória, depois de toda a bonomia e satisfação com aquele triunfo gordo frente ao Sp. Braga, voltou a ver lenços brancos.

Antes de entrarmos pelas penas benfiquistas, algumas palavras para este Portimonense, que se tem habituado a fazer a vida difícil a quem anda na primeira metade da tabela. Já tinha batido o Sporting e o V. Guimarães, tinha chegado a colocar o FC Porto em sentido, e mais uma vez deixou no relvado um futebol “do bem”, que é o mesmo que dizer no sentido da baliza adversária, construído por gente que sabe o que faz em todos os sectores, por uma “estrela” em ascensão chamada Nakajima (que pode estar de saída) e uma “estrela” no ocaso da carreira chamada Jackson Martínez, limitado pelo físico, mas ainda com a chispa do grande avançado que era.

Rui Vitória tinha falado de 2019 como o ano das reconquistas e, depois do desastre em Munique, o Benfica até tinha conseguido reagir bem com sete vitórias consecutivas e um empate que valeu como vitória. Mas, com a excepção do jogo na Luz com os minhotos na jornada anterior, os “encarnados” foram pouco convincentes nesta série. Voltando a pegar numa expressão recente do técnico, vitórias sem lirismo mas suficientes para o Benfica chegar ao primeiro jogo do novo ano a olhar com confiança para quem está à sua frente.

As coisas começaram a correr muito mal e muito cedo para o Benfica. Logo aos 12’, Manafá (um dos melhores em campo), acelerou pela esquerda, cruzou rasteiro e a bola foi desviada por Rúben Dias para a própria baliza. Jackson andava por perto e Vlachodimos preocupou-se mais com o colombiano, já não indo a tempo de corrigir o erro do colega.

A tentativa de reacção do Benfica veio quase sempre do mesmo sítio, do lado direito do ataque, onde estava Zivkovic. Todas as jogadas de perigo passaram pelo sérvio. Foi nele que começou a jogada que permitiu a Jonas ganhar um lance na pequena área e fazer um remate de perigo moderado para Ricardo (18’) e foi ele que colocou a bola na cabeça de Jardel para uma defesa difícil do guarda-redes dos algarvios (26’).

E como respondeu o Portimonense? Bem e, de novo, com uma pequena ajuda dos “amigos” de “encarnado”. Aos 38’, Nakajima fez um passe na direcção de Jackson para a área do Benfica. O colombiano conseguiu antecipar-se a Vlachodimos e deu um toque na bola que não iria causar grande perigo. Não foi essa a avaliação de risco feita por Jardel, que tentou um corte de cabeça e meteu a bola na própria baliza. Última vez que o Benfica marcara dois autogolos em jogos do campeonato? Palavra ao jornalista Rui Miguel Tovar e à sua base de dados: em 1947, num jogo frente ao Atlético, por Joaquim Fernandes e Augusto Moreira.

E o que aconteceu depois? Rui Vitória lançou dois homens para o ataque (Salvio e Seferovic) que não fizeram a diferença e perdeu por expulsão aos 71’ aquele que costuma fazer a diferença — Jonas viu o vermelho directo por jogo perigoso num lance com o guarda-redes Ricardo. E Vlachodimos, depois de algumas culpas no segundo autogolo, ainda vestiu a pele do herói que impediu uma derrota mais expressiva. Mas perder por dois ou por cinco ia dar ao mesmo e o Benfica, que entrou para o segundo dia de 2019 em segundo lugar, já baixou para terceiro e pode acabar na quinta-feira em quarto e bem mais longe da anunciada reconquista.