Crítica

Jim Carrey em versão sisuda

Jim Carrey reaparece num papel em total contratipo: é um polícia soturno, de rosto fechado, que não abre a porta a nenhuma espécie de histrionismo.

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Jim Carrey, que anda mais ou menos desaparecido desde há uns anos, é um polícia de rosto fechado
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Para se ir direito ao assunto, a única coisa assinalável de Crimes Sombrios é o elenco heteróclito: ter Jim Carrey, Charlotte Gainsbourg, a kaurismakiana Kati Outinen, o kieslowskiano Zbigniew Zamachowski no mesmo filme deve representar uma das escolhas de casting mais surpreendentes dos últimos anos. E depois, sobretudo, Jim Carrey, que anda mais ou menos desaparecido desde há uns anos (quando deixaram de se fazer as tradicionais “comédias com Jim Carrey”, que nalguns casos podiam ter bastante graça), e aqui reaparece num papel em total contratipo: é um polícia polaco (a história verídica em que o filme se baseia sucedeu na Polónia), soturno, de rosto fechado, que não abre a porta a nenhuma espécie de histrionismo.

Seria bom se o filme fosse bom, mas não é: aborrecidamente estilizado, esquemático na relação com os temas da justiça e do “processo” (boa parte do filme vive da relação entre o polícia e um suspeito, em cuja culpabilidade ele acredita mas que foi libertado por razões processuais), muito pastoso narrativamente, e um desperdício de actores e personagens. É sempre um prazer rever Carrey mas, a não ser que o leitor faça absoluta questão de ver todos os filmes com ele, Crimes Sombrios é para passar ao lado.