CPLP e relações UE/Mercosul na conversa entre Marcelo e Bolsonaro

Presidente português entende que só com o empenho profundo do Brasil na CPLP é que esta comunidade pode “ter peso no mundo”.

Marcelo reúne-se com Bolsonaro com a CPLP na agenda
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Marcelo reúne-se com Bolsonaro com a CPLP na agenda LUSA/PAULO NOVAIS

Marcelo Rebelo de Sousa será um dos primeiros chefes de Estado a serem recebidos pelo recém-empossado presidente do Brasil. Um dia depois da sua posse, Jair Bolsonaro reúne-se, no Palácio do Planalto, em Brasília, com o Presidente português que já definiu um dos tópicos da conversa: o empenho brasileiro na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Eu não sei o que é que espero. Eu sei o que vou lá defender. Eu vou defender um empenho brasileiro na CPLP. Não há CPLP sem Brasil. O Brasil é uma potência mundial, é um país liderante do Mercosul, tem um peso fundamental no universo latino-americano", disse Marcelo aos jornalistas, a partir de Brasília, horas antes da cerimónia de posse Bolsonaro.

Só com o empenho profundo do Brasil na CPLP é que esta comunidade pode “ter peso no mundo”, defendeu Rebelo de Sousa acrescentando: “É isso que eu vou dizer ao Presidente Bolsonaro. É isso que eu espero ouvir dizer da parte dele”.

Marcelo contou que, num encontro como o que terá com o seu homólogo brasileiro - que não é vulgar haver aquando da posse - "há que limitar o número de temas ao que é fundamental”. Daí a decisão de “falar das duas comunidades - da CPLP e das relações União Europeia/Mercosul, que são um ponto fulcral - e depois há imensos outros temas quer multilaterais quer bilaterais que estão na ordem do dia".

Sobre a ausência de outros chefes de Estado da Europa na posse de Jair Bolsonaro, o Presidente observou: "Não há nenhum país na Europa que tenha a ligação que nós temos com o Brasil. Basta conhecer história para saber que foi assim e que é assim". Para Marcelo, o Brasil pertence ao "grupo selecto de amigos e aliados" de Portugal.

Pouco antes de Bolsonaro ser empossado presidente do Brasil, Marcelo lembrou, em Brasília, a sua própria tomada de posse e a preocupação de falar para para todos.

“Quando eu ia para a minha tomada de posse e estava a preparar o meu discurso, o que eu pensava era em falar para o maior número de portugueses: para aqueles que tinham votado em mim, para aqueles que não tinham votado em mim, para aqueles que se tinham abstido. Somando todos é que se tem o retrato do país”, referiu.

“Mas cada país é um país, cada Presidente é um Presidente. Vamos ver o que se passa”, acrescentou Marcelo, dizendo estar a colocar-se, “tanto quanto é possível, nos sapatos do novo Presidente” do Brasil, a quem desejou “boa sorte” na tarefa de chefiar o Estado e de governar um país “que é quase um continente, que tem responsabilidades brutais”.

Ainda a partir do Brasil, Marcelo comentou o veto recente ao diploma dos professores para garantir que apenas apreciou a questão formal. “Eu o que quis foi, apenas, apreciar a questão formal - mas toda a forma tem algum conteúdo - que era a aplicação da lei do Orçamento através de um processo negocial já agora no ano em que nos encontramos. Foi só isso”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.