Zuckerberg deve estar outra vez a suar em bica

Walt Mossberg, o jornalista que um dia deixou o CEO do Facebook a suar por causa das suas perguntas anunciou aos seus seguidores no Facebook que no final do ano vai desactivar a sua conta. E não é o único que acha que o Facebook tem de mudar de rumo.

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O jornalista Walt Mossberg diz que não pretende incitar outros a sair do Facebook Denise Truscello/WireImage/Getty Images

Se fizermos uma busca pelas notícias que têm sido escritas ultimamente no PÚBLICO com a palavra Facebook encontramos títulos como: “Facebook clarifica partilha de ‘mensagens privadas’ com Netflix e Spotify”; “Falha no Facebook expôs fotos privadas e não publicadas de utilizadores” ou “Netflix, Airbnb e outras empresas tiveram acesso especial a dados do Facebook”… Isto faz qualquer um arrebitar as orelhas, ainda mais no ano em que estourou o caso Cambridge Analytica.

Se formos até ao início de 2018 recordamos que, no encontro de Davos, o multimilionário George Soros avisou que empresas como o Facebook e o Google constituíam uma “ameaça para a sociedade” e representavam “obstáculos à inovação”. Na mesma altura, Roger McNamee, que foi um dos primeiros investidores da empresa de Mark Zuckerberg, afirmava que o Facebook e Google eram “ameaças à saúde pública”. Aliás McNamee não se ficou por discursos. No início do próximo ano, em Fevereiro, vai lançar o livro Zucked: Waking Up to the Facebook Catastrophe, publicado pela Penguin Random House.

Num post, publicado a 8 de Dezembro na sua página oficial no Facebook, McNamee escreve: “Durante uma década fui um verdadeiro crente. Até agora, ainda possuo acções da empresa. Em termos dos meus próprios interesses, não tenho razões para morder a mão do Facebook. Nunca me ocorreria ser um activista anti-Facebook”.

Mas desde 2016 começou a ver acontecerem coisas no Facebook que não lhe pareciam correctas. No início, o Facebook pareceu-lhe a vítima. Só quis confortar os seus amigos. Mas o que foi sabendo entretanto chocou-o e desiludiu-o. No livro, afirma no post, vai explicar porque é que está convencido que “apesar de o Facebook proporcionar uma experiência convincente para a maioria que o usa”, “foi terrível para os Estados Unidos” e “precisa de mudar ou de ser mudado”. Vai também contar o que fez para tentar que isso acontecesse. “A minha esperança é que a narrativa da minha própria conversão ajude outros a perceberem a ameaça”, conclui.

Também esta semana, a 17 de Dezembro, um dos veteranos jornalistas especializado em tecnologia, Walt Mossberg, anunciou aos seus seguidores no Facebook que no final do ano vai desactivar a sua conta e também a do Instagram, do Messenger e do WhatsApp (pertencem todos à mesma companhia). Para quem não se lembra, em 2010, Walt Mossberg e Kara Swisher entrevistaram Mark Zuckerberg na conferência D: All Things Digital e deixaram-no a suar em bica (literalmente) com perguntas difíceis.

Oito anos depois, Zuckerberg aprendeu a falar em público sem suar mas as controvérsias avolumaram-se. E Walt Mossberg tomou uma decisão: “Estou a fazer isto - depois de estar no Facebook há quase 12 anos - porque os meus valores e as políticas e acções do Facebook divergiram ao ponto de eu já não me sentir confortável aqui”, escreveu. Vai perder as novidades dos amigos que só comunicam através destas plataformas e tem muita pena. Estará disponível no Twitter (@waltmossberg), através de email e no telemóvel.

“Não sou o primeiro a deixar o Facebook e não estou a incitar outros a fazê-lo, nem a tentar criar um movimento de debandada do Facebook. Também não estou a julgar quem cá fica ou quem trabalha aqui”, afirma. “Esta decisão é só minha. Se a empresa ou o serviço mudar de forma considerável para melhor, no meu ponto de vista, ou seja efectivamente regulado, eu poderei retomar o seu uso regular.” Embora não tenha nenhuma esperança de que isso vá alguma vez acontecer.