Crónica de jogo

Ciclo de reviravoltas prolonga ciclo de vitórias do FC Porto

Triunfo sobre o Rio Ave permite ao campeão nacional consolidar a liderança da Liga.

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FERNANDO VELUDO/LUSA

Começa a ser regra. O FC Porto entra a perder, reage de forma autoritária e dá a volta ao texto num abrir e fechar de olhos. À imagem do que acontecera nos três jogos anteriores nas provas domésticas, o campeão nacional deu um golo de avanço ao adversário, mas foi contundente na resposta e bateu o Rio Ave (2-1) na 14.ª jornada, elevando para nada menos do que 15 o número de jogos consecutivos a ganhar. Cumprida a missão, os "dragões" podem dedicar-se às compras de Natal de última hora sem se preocuparem com os rivais.

Foi preciso esperar praticamente 12 anos para voltar a ver o FC Porto em acção na Liga debaixo do sol das 15h. Com o estádio cheio e a confiança insuflada por um brilhante momento de forma, o anfitrião entrou a pressionar um Rio Ave que, circunstancialmente sob as ordens de Augusto Gama, mostrou vontade de assumir o jogo. Em 4x3x3, com Fábio Coentrão à esquerda e Gabrielzinho (no lugar do impedido Galeno) à direita do triângulo mais adiantado, os vila-condenses cedo mostraram intenção de fazer chegar rapidamente a bola a Vinícius. Recuperação, um/dois toques e aposta na profundidade.

A fórmula deu resultado aos 12', quando uma má saída de bola do FC Porto foi aproveitada por Tarantini para libertar de imediato Gelson Dala. O angolano abriu na esquerda e isolou Vinícius com um passe perfeito, que o brasileiro aproveitou em conformidade, contornando Casillas para inaugurar o marcador.

Sérgio Conceição já tinha alertado para a necessidade de depurar o processo defensivo, mas quem sabe se o facto de ter entrado a perder diante de Portimonense, Santa Clara e Moreirense não contribuiu para uma resposta imediata do FC Porto? Aos 16', Brahimi desequilibrou em drible pelo meio, libertou para o cruzamento e ainda foi à área emendar para a baliza a assistência de cabeça de Soares. 1-1 no marcador.

O Rio Ave tentou então esboçar uma reacção, mas a aceleração de Gelson Dala aos 23' teve um preço elevado. Lesão muscular, substituição forçada (entrou o croata Jambor) e, quase no lance seguinte, 2-1. Maxi Pereira bombeou a bola para as costas da defesa vila-condense, Nelson Monte posicionou-se mal para tentar conter Marega e foi facilmente batido pelo maliano, que ficou cara a cara com Leo Jardim e finalizou pelo buraco da agulha.

Augusto Gama deslocou então Fábio Coentrão, o jóquer criativo da equipa, para o flanco direito, mas foram as diagonais interiores do internacional português que causaram mais problemas ao FC Porto - logo no arranque do segundo tempo, com um passe de classe, deixou Vinícius isolado, mas o avançado estava em posição irregular. Aos 60', Coentrão surgiu novamente no corredor central a pedir a bola no espaço e a assistir Tarantini, ao segundo poste, para um corte cirúrgico de Alex Telles.

O Rio Ave, que aos poucos foi subindo no terreno e pressionando com mais unidades no último terço, começou a circular melhor a bola, explorando também as investidas do lateral Matheus Reis pela esquerda. Defensivamente, também ocupou de forma mais racional o corredor central e obrigou o FC Porto a jogar por fora, com Danilo (de cabeça) e Marega (remate disparatado) a ameaçarem na sequência de cruzamentos.

Para o assalto aos últimos minutos, Conceição apostou na visão de Óliver e na velocidade de Hernâni, enquanto Gama tentou esticar o jogo com Murilo e gerar uma nova referência para o eixo do ataque, com Bruno Moreira. E foi o Rio Ave a voltar a criar perigo: Vinícius recebeu de costas na área, rodou e rematou forte para o corte de Felipe, com Coentrão (que seria expulso aos 89', por protestos) a fazer a recarga para fora. O FC Porto já actuava praticamente em reacção.

O equilíbrio na posse de bola (56% contra 44%) ilustra o à-vontade que os vila-condenses mostraram em posse, mas a boa imagem que deixaram no Estádio do Dragão não lhes rendeu pontos. E já lá vão seis jogos sem ganhar num campeonato que continua a ser liderado, com total autoridade, por um FC Porto que vai passar o Natal confortavelmente instalado no topo.