A banda sul-coreana BTS
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A banda sul-coreana BTS Yoan Valat/Reuters

Cinco passos para te tornares fã de k-pop

Estas são cinco coisas que deves saber para entrar de cabeça no colorido universo k-pop: da música às expressões mais frequentes, dos dramas ao estilo.

A música

BTS: Na Coreia do Sul todas as sonoridades são bem-vindas e não é exagero nenhum dizer que há bandas para todos os gostos – do hip hop ao rock, passando pelo R&B. Mas, tal como no Ocidente, as mais populares são as bandas pop, como os BTS (um grupo formado por sete rapazes, todos com menos de 25 anos, que já somam cinco anos de carreira a ocupar os lugares cimeiros dos tops). Foram eles os principais responsáveis por trazer o k-pop para as tabelas de música norte-americanas, ao serem o primeiro grupo do género a alcançar um primeiro lugar na tabela Billboard 200, com a canção Love yourself: tear.

BlackPink: Todas as integrantes deste grupo são, também, muito jovens – a mais velha tem uns tenros 23 anos – mas já andam nas lides da música há dois anos. A banda também já conseguiu alguma projecção internacional no Ocidente, especialmente depois da colaboração com a cantora britânica Dua Lipa, na música Kiss and make up.

Red Velvet: São cinco e já conseguiram pelo menos uma proeza: arrancar um elogio do líder norte-coreano, Kim Jong-un, que disse estar “comovido” com a música pop sul-coreana depois de uma actuação da banda em Pyongyang, em Fevereiro deste ano.

As expressões

Idol (ou ídolo): São celebridades que foram treinadas, durante anos, para atingir o estrelato. Todas as estrelas de k-pop passam por este treino. São seleccionadas pelas agências e recebem formação de canto, dança e línguas. Pede-se que saibam falar um coreano perfeito, mesmo que tenham nascido noutras partes do globo.

Bias: “Quem é o teu bias?”. Esta é uma pergunta que quase todos os fãs já terão ouvido. Os grupos de k-pop podem ter entre quatro a 13 membros e o bias é o membro favorito de um fã.

Clube de fãs: Esta expressão não é de origem coreana, mas cada grupo de k-pop tem o seu clube de fãs e alguns adoptam nomes originais – como os Army, fãs de BTS.

Arroz de fã (ou fan rice em inglês): São sacos de arroz que os fãs oferecem aos ídolos como símbolo de admiração e compromisso.

Honoríficos: São intrínsecos à cultura coreana e foram adoptados pelos fãs da música pop coreana por todo o mundo. Hyung é usado por um rapaz para se referir a um homem mais velho; noona é o equivalente mas para mulheres. Uma mulher usa oppa para se referir a um homem mais velho e unni para uma mulher mais velha. Como a grande maioria dos fãs de k-pop são mulheres, oppa é a expressão mais utilizada para se referirem aos ídolos.

Selca: Antes de a palavra “selfie”​ se ter tornado conhecida no Ocidente já os coreanos usavam a palavra selca para se referirem aos auto-retratos que faziam no telemóvel. É a combinação das palavras “self” (próprio) e “camera” (câmara).

PÚBLICO -
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O grupo GFriend tiram uma "selca" com fãs. Seul, 2015 Kim Hong-Ji/REUTERS

Os dramas (ou doramas)

Foram os dramas sul-coreanos que deram início à onda coreana – ou hallyu, no original, uma nova vaga cultural. Começaram a ganhar popularidade no início dos anos 2000 e abriram espaço para que outros formatos pudessem conquistar público, como o cinema e a música. À semelhança das telenovelas portuguesas, as tramas costumam girar à volta do amor (muitas vezes não correspondido), relacionamentos e família.

You and I (1997): Este é um dos dramas coreanos mais antigos. A história gira à volta da família de Park Jae Chul, um marinheiro, com três filhos e uma filha.

Boys Over Flowers (2009): Baseado nos livros de banda desenhada japoneses com o mesmo título, Boys Over Flowers conta a história de Jan Di, uma rapariga de origem humilde que consegue uma bolsa para estudar numa escola de elite. 

My Golden Life (2017): Esta série foi uma das que mais prémios arrecadou na última edição dos KBS Drama Awards, o equivalente ao Emmy sul-coreano. Gira em torno da história de uma mulher que encontra uma forma de subir de estatuto social.

Os filmes

São os sucessores das séries na onda coreana e um dos seus pilares fundadores. A indústria cinematográfica é mais antiga do que a korean wave – começou nos anos 1940 – mas foi no início do milénio que teve o seu desabrochar.

Oldboy (2003): Conta a história de Oh Dae-Su, raptado e depois libertado com uma missão: encontrar o seu captor.

Expresso do Amanhã (2013): Inspirado num livro de banda desenhada francesa, é um filme de produção sul-coreana mas falado em inglês. A história passa-se num em 2031, num futuro distópico no qual uma experiência sobre as alterações climáticas corre mal e mata toda a vida na terra. Apenas algumas pessoas se salvam e sobem a bordo do expresso do amanhã.

K-beauty e roupa

As rotinas de beleza sul-coreanas são conhecidas por terem um sem-número de passos – a mais conhecida soma 12 passos, ainda que, em teoria, possam ter mais. Cobrem tudo o que é necessário para o cuidado da pele, passando pela hidratação, limpeza, tonificação e esfoliação. Mas não te assustes: estes 12 passos não são para repetir todos os dias.

As marcas coreanas trabalham maioritariamente com matérias-primas naturais e até as marcas que produzem maquilhagem tendem a apostar mais nos cuidados de pele. O mote é: a beleza vem de dentro, não de fora.

A maquilhagem tende a ser natural, mas não é que os sul-coreanos sejam comedidos na hora de apostar. É comum ver tons coloridos e brilhantes nas pálpebras, mas tudo o resto deve ser mantido sóbrio. Nos lábios, o batom aplica-se no centro, criando um gradiente e perdendo cor à medida que se aproxima das extremidades. As sobrancelhas usam-se rectas, mas depiladas.

Alguns produtos de beleza de marcas sul-coreanas podem ser encontrados nas lojas Yoyoso, lojas coreanas em Portugal. Existem no Dolce Vita Tejo e no Centro Comercial Alegro de Setúbal.

O guarda-roupa difere. O streetwear é popular, assim como os tons pastel e os cortes a direito. Mas também não é incomum, em espectáculos e nos vídeos, ver mulheres com couro, renda ou lantejoulas e homens de fato ou com visuais monocromáticos. É caso para dizer que há roupa para todos os gostos.