Ministério convida todos os sindicatos dos enfermeiros para reunião na sexta-feira

Tutela convoca todos os sindicatos para uma reunião na próxima sexta-feira. Ordem dos Enfermeiros pede ao Governo que chegue a "entendimento urgente".

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rui Gaudencio

O Ministério da Saúde convidou todos os sindicatos dos enfermeiros para uma reunião na sexta-feira, à margem das negociações em curso, para "desenvolver uma reflexão conjunta" sobre o sector.

A marcação da reunião acontece depois de a Ordem dos Enfermeiros ter reclamado um acordo "urgente" com os sindicatos que convocaram a "greve cirúrgica", um protesto inédito que arrancou em 22 de Novembro e decorre até ao fim do ano nos blocos operatórios de cinco grandes hospitais públicos. A ministra da Saúde espera com este encontro "fazer pontes" e entender-se com os sindicatos de forma a "repor o normal funcionamento do SNS".

O ministério assegura, em nota à imprensa, que está "a envidar todos os esforços" para "garantir a continuidade das negociações que estão em curso" com os sindicatos dos enfermeiros.

São já mais de sete mil as cirurgias adiadas devido à chamada "greve cirúrgica", segundo a Ordem dos Enfermeiros (OE). Face a este número, que foi disponibilizado pelos "enfermeiros directores" dos cinco centros hospitalares, a Ordem pede ao Governo que chegue a “um entendimento urgente” com os sindicatos. E lembra que nesta quarta-feira a ministra da Saúde tem um encontro marcado com a bastonária.

Nota ainda que estão em causa cirurgias "a que não será possível dar resposta nos próximos tempos” e que a situação se agravará, provocando “o caos no SNS”.

O total de cirurgias adiadas, enfatiza, reforça a necessidade de “haver um acordo, urgente, entre Governo e sindicatos”. Ainda assim, a Ordem garante que não houve nenhuma situação que tenha colocado em risco a vida de doentes e afirma que os enfermeiros estão mesmo a trabalhar para além dos serviços mínimos decretados no âmbito desta greve.

Ministra espera "fazer pontes" com sindicatos

"O que espero é que possamos conversar sobre aquilo que preocupa os portugueses, que é uma circunstância de greve no SNS que está a por em causa de alguma forma o normal funcionamento dos serviços", afirmou a ministra da Saúde, à margem de um debate sobre a proposta do Governo de Lei de Bases da Saúde, que se realizou nesta terça-feira na sede nacional do PS.

Questionada sobre se a expectativa é a de que possa suspender a greve, Marta Temido afirmou: "É essa a minha expectativa, que possamos fazer pontes, entendermo-nos e repor o normal funcionamento do SNS."

Numa entrevista concedida ao Diário de Notícias e à TSF, no fim-de-semana, ao ser questionada sobre negociações com os sindicatos dos enfermeiros em greve, Marta Temido afirmou que entrar nesse diálogo não seria correcto para com os outros sindicatos: "Isso estaria a privilegiar, digo eu, o criminoso, o infractor." Os termos foram muito contestados por estes profissionais, levando a ministra a pedir desculpa aos enfermeiros. Essa nota foi dada pela Ordem através de comunicado.

Marta Temido reconheceu que a expressão que usou foi infeliz, motivo pelo qual pediu desculpas. "Acho que é uma forma diferente de fazer política. Acho que não devemos ter vergonha de pedir desculpas quando, ainda que inadvertidamente, causamos aos outros uma sensação de lesão", afirmou, explicando que "o que sucedeu foi uma caracterização genérica sobre o que são as posições de dialogo ou não diálogo num período de conflito".

"Não tive intenção nenhuma de pôr em causa nenhuma profissão, muito menos os profissionais de enfermagem. Não está minimamente em causa o respeito pela profissão de enfermagem. O que está em causa é que temos de encontrar pontos para nos entendermos e acredito que o trabalho que temos feito permitirá que essas pontes sejam concretizadas", assegurou.

Greve de três dias desmarcada

Esta terça-feira à tarde, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (Fense) cancelou uma outra greve, esta marcada para os próximos dias 26, 27 e 28, segundo adiantou à Lusa um dirigente sindical.

Este cancelamento não vai, porém, ter qualquer impacto na "greve cirúrgica", que foi convocada por outros dois sindicatos, o Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor) e a Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (Aspe).

A Fense agrega o Sindicato dos Enfermeiros e o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem. A decisão de cancelar estes três dias de greve aconteceu após uma reunião com a comissão negociadora dos ministérios da Saúde e das Finanças, que decorreu na Administração Central do Sistema de Saúde. "Vamos levantar a greve que tínhamos marcado para dia 26, 27 e 28 de Dezembro", disse José Azevedo, presidente do Sindicato dos Enfermeiros e porta-voz da Fense.

Já a Comissão Negociadora Sindical dos Enfermeiros, da qual fazem parte o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e o Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM), indicou que não iria comparecer na reunião desta terça-feira com a tutela.

Em causa está a ausência de “orientações sobre a justa contagem dos pontos a todos os enfermeiros para efeitos do descongelamento das progressões e ao pagamento do suplemento remuneratório aos enfermeiros especialistas” que exigiram previamente ao Governo. Com Ana Maia