Arquitectura

O Centro de Artes de Águeda é um “pequeno milagre”

©Fernando Guerra
Fotogaleria
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Um edifício com 4500 metros quadrados, um programa “bastante ambicioso” e um orçamento de quatro milhões de euros. É assim o Centro de Artes de Águeda, o “pequeno milagre” da AND-RÉ, empresa de arquitectura e design nascida em 2008 pelas mãos de Bruno André e Francisco Ré, no Porto. “A empresa foi criada exactamente no ano em que rebentou a crise internacional que, apesar de ter chegado mais tarde a Portugal, fez com que vivêssemos praticamente toda a profissão em tempos de crise. O Centro de Artes de Águeda é um bom exemplo dos desafios que enfrentamos e por isso nós dizemos que é um pequeno milagre”, conta Bruno André, ao P3.

Entre o concurso público, que venceram em 2010, e a inauguração do Centro de Artes passaram-se sete anos. Pelo meio, houve algumas “afinações” à proposta inicial, consoante as necessidades do cliente — a Câmara Municipal de Águeda: “O projecto sofre sempre evolução ao longo do processo e os recursos económicos que tínhamos foram o grande desafio. Foi-nos exigido um esforço muito maior, uma criatividade a nível de gestão de recursos e desenho arquitectónico”, explica o arquitecto.

O desenho final resultou num edifício dividido em três “vertentes”: auditório, sala de exposições e café-concerto que, conjugadas com “a necessidade de optimizar recursos”, deram origem a um edifício com “três braços”, com “a gestão a ser controlada a partir de um único ponto” — o átrio comum, com uma escada circular. O resultado final é “aquela forma que se adapta ao terreno, criando também uma praça exterior”, como mostra a imagem 5 da fotogaleria, da autoria de Fernando Guerra. A praça conta com um elemento icónico: “A chaminé da indústria cerâmica que existia no terreno” e foi preservada na construção actual. “É tão importante o espaço construído como o não construído”, sublinha Bruno André. O auditório, com 600 lugares, “tem tido uma boa repercussão”. O arquitecto refere o cuidado no estudo da acústica e dos pormenores técnicos num processo "muito difícil", dado o baixo orçamento. O espaço para exposição “tem estado sempre bastante activo”: “Há exposições a ser inauguradas com regularidade” e também há uma sala-estúdio, que recebe actividades e espectáculos. 

Recentemente, o Centro de Artes de Águeda ganhou uma menção honrosa na vertente cultural do Master Prize 2018, que vai ser recebida no Museu Guggenheim, em Bilbau, no início do próximo ano. Esteve ainda nomeado para o prémio Construir, na categoria de Melhor Projecto Público, e agora chamou a atenção também dos prémios Mies van der Rohe, cujo vencedor será conhecido em Janeiro de 2019. Independententemente do resultado, Bruno André está satisfeito: “Estar nomeado, por si só, é óptimo, uma vez que são nomeadas poucas obras a nível nacional e é um dos prémios mais prestigiantes a nível mundial.”

Além do Centro de Artes de Águeda, estão nomeados mais 16 projectos portugueses, entre os 383 projectos de 38 países. Alguns deles são a Capela do Monte, em Barão de São João (Álvaro Siza), o Centro Interpretativo do Vale do Tua, na Foz do Tua (Rosmaninho + Azevedo Arquitectos), a Capela de Nossa Senhora de Fátima, em Idanha-a-Nova (Plano Humano Arquitectos), a Torre FPM41 (Barbas Lopes Arquitectos), a Praça Fonte Nova (José Adrião Arquitectos), o Teatro Luís de Camões, em Lisboa (Manuel Graça Dias + Egas José Vieira) e o Terminal de Cruzeiros de Lisboa (Carrilho da Graça).

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