Virgin Galactic avança para turismo espacial com teste bem-sucedido

O multimilionário britânico Richard Branson quer realizar o primeiro voo comercial com passageiros em Março de 2019. Um dos lugares a bordo deste voo turístico será ocupado por ele. Para já, apenas foram dois pilotos e um manequim chamado Annie a bordo do foguetão que realizou, com sucesso, o voo de teste.

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A nave SpaceShipTwo, da Virgin Galactic, esta quinta-feira no deserto do Mojave, Califórnia Virgin Galactic/Reuters

Um foguetão da Virgin Galactic partiu em direcção ao espaço esta quinta-feira e regressou em segurança ao deserto da Califórnia, encerrando anos de difíceis testes para se tornar o primeiro voo humano comercial dos EUA a chegar ao espaço desde que o programa de vaivéns espaciais da dos Estados Unidos terminou em 2011. O voo de teste anuncia uma nova era de viagens espaciais civis que poderá começar já em 2019, com a Virgin Galactic do multimilionário britânico Richard Branson a concorrer contra outros projectos apoiados por milionários, como a Blue Origin do fundador da Amazon.com, Jeff Bezos, para ser o primeiro a garantir a oferta de voos suborbitais para turistas.

O foguetão da Virgin, com duas fuselagens e que carregou a nave espacial SpaceShipTwo, descolou logo após as 7h (horal local) do Porto Aéreo e Espacial do Mojave, a cerca de 145 quilómetros a norte de Los Angeles. Richard Branson, vestia um casaco de couro com gola de pele, esteve presente no lançamento do foguetão juntamente com centenas de espectadores que se juntaram numa manhã fresca no deserto da Califórnia.

Depois de o foguetão atingir a altitude de 80 quilómetros, alcançando um apogeu de 82 quilómetros acima da Terra, um emocionado Richard Branson a chorar cumprimentou e abraçou os espectadores. O foguetão entrou novamente na atmosfera a 2,5 vezes a velocidade do som e aterrou poucos minutos depois.

Um dos pilotos entregou a Richard Branson uma pequena bola de stress com a forma da Terra quando os dois se abraçaram depois de a nave espacial pousar em segurança após cerca de uma hora de viagem. “Hoje mostramos que a Virgin Galactic pode abrir o espaço para o mundo”, disse Richard Branson, acrescentando que ambiciona conseguir realizar um voo espacial comercial com passageiros –  incluindo ele próprio – em Março de 2019.

82 quilómetros acima da Terra

O foguetão transportador carregou a SpaceShipTwo para uma altitude de cerca de 45.000 pés (13,7 quilómetros) e soltou-o. Segundos depois, a SpaceShipTwo disparou, catapultando-se para mais de 51 milhas (82 quilómetros) acima da Terra, suficientemente distante para que os pilotos Mark Stucky e Frederick Sturckow experimentassem ausência de peso e observassem a curvatura do planeta.

O mais recente teste de voo da Virgin Galactic chega quatro anos depois do SpaceShipTwo original ter caído durante um voo experimental que matou o co-piloto e feriu gravemente o piloto, causando um grande revés à Virgin Galactic, uma subsidiária norte-americana do Grupo Virgin. “Tivemos os nossos desafios e chegar, finalmente, ao ponto em que estamos dentro da área espacial é uma enorme conquista para a nossa equipa”, disse George Whitesides, presidente-executivo da Virgin Galactic, aos jornalistas durante uma visita às instalações que decorreu na quarta-feira.

Alguns críticos referem as promessas não cumpridas de Richard Branson sobre o espaço na última década, mas o empresário disse numa entrevista na TV em Outubro que a primeira viagem espacial comercial da Virgin Galactic com ele a bordo aconteceria “em meses e não em anos”. O voo desta quinta-feira tinha dois pilotos a bordo, quatro cargas de investigação da NASA e um manequim chamado Annie como passageiro.

Voo de 90 minutos por 250 mil dólares

Mais de 600 pessoas já pagaram ou fizeram depósitos para ir a bordo das missões suborbitais da Virgin Galactic, incluindo o actor Leonardo DiCaprio e a popstar Justin Bieber. Na Virgin, um voo de 90 minutos deverá custar 250 mil dólares.

As mais curtas viagens turísticas para o espaço a bordo do foguetão New Shepard, da Blue Origin, devem custar cerca de 200 mil a 300 mil dólares, adiantou a agência Reuters em Julho. Os “bilhetes” serão oferecidos antes do primeiro lançamento comercial, e os voos de teste com os funcionários da Blue Origin devem começar em 2019.

Outras empresas que planeiam entrar neste negócio do turismo espacial incluem a Boeing, a SpaceX, de Elon Musk, e a Stratolaunch, de Paul Allen, co-fundador da Microsoft falecido em Outubro. Em Setembro, a SpaceX disse que o multimilionário japonês Yusaku Maezawa, fundador e presidente-executivo da empresa retalhista de moda online Zozo, seria o primeiro passageiro a viajar até à Lua no foguetão Big Falcon, programado para 2023.

Elon Musk, presidente da Tesla, afirmou que o Big Falcon poderia realizar os primeiros voos orbitais nos próximos dois ou três anos, como parte do seu ambicioso plano de transportar passageiros até a Lua e levar depois humanos e carga até Marte.

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