Papa exclui dois cardeais do seu grupo de conselheiros devido a escândalos sexuais

Um dos cardeais mais poderosos do Vaticano foi obrigado a abandonar o núcleo de conselheiros do Papa. O tesoureiro George Pell foi acusado de vários crimes de abuso sexual aos longo de três décadas.

O cardeal George Pell é acusado de abusos sexuais na Austrália
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O cardeal George Pell é acusado de abusos sexuais na Austrália REMO CASILLI/Reuters

O Papa Francisco excluiu do seu grupo de conselheiros mais próximos dois cardeais envolvidos em escândalos de abuso sexual, anunciou esta quarta-feira o Vaticano.

As duas figuras em causa são o cardeal australiano George Pell – o católico mais graduado a responder em tribunal por crimes sexuais e tesoureiro do Vaticano em Roma, de 77 anos – e o chileno Francisco Javier Errázuriz, de 85 anos. Ambos foram alvo de acusações relacionadas com abuso sexual, mas declararam-se inocentes.

Um terceiro cardeal, da República Democrática do Congo, Laurent Monsengwo Pasinya, que fazia parte dos nove membros do Conselho dos Cardeais dirigentes da Igreja Católica (também conhecido por C-9), também abandonou o grupo, segundo anunciou em comunicado o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, após a última reunião do conselho nesta quarta-feira.

O porta-voz avançou ainda que o Papa Francisco ter-lhes-á enviado uma carta em Outubro a agradecer pelas suas contribuições e que nenhum deles compareceu à última reunião.

George Pell tirou uma licença para se defender das acusações reveladas em Junho de 2017, enfrentando “múltiplas” queixas por crimes de abuso sexual ao longo de três décadas na Austrália. O chileno Errázuriz é acusado, por sua vez, de encobrir crimes de pedofilia cometidos por Fernando Karadima, entretanto expulso do sacerdócio pelo Papa.