Crítica

Aos comics o que é dos comics

Não será caso para foguetes, mas registe-se o facto de, tantos anos e filmes depois, a vaga dos super-heróis ainda encontra forças para envergar um semblante de energia.

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Não será propriamente escandaloso imaginar os executivos de Hollywood a matarem a cabeça à procura de fórmulas para prolongar, com um mínimo de frescura, a saga dos filmes de super-heróis. Nesse sentido, esta “re-apropriação” (ou poder-se-ia dizer, “re-re-re-re-apropriação”) da personagem do Homem Aranha tem qualquer coisa de um ovo de Colombo: devolver ao “desenho” aquilo que nasceu em “desenho”.

Entre o cartoon e os comics, entre a animação “digital” moderníssima e um toque “retro” que — sendo essencialmente decorativo — aponta a uma memória das origens “arcaicas” do universo dos super-heróis, o Homem Aranha pode viver mais uma vez, nem que seja pela exclusiva duração de um filme (inevitavelmente, estão previstas as continuações e a “franchisação”), com uma respiração minimamente dinâmica, com um ritmo desenvolto, a tónica na acção e no movimento, e uma imaginação visual permitida pela ausência de preocupações “realistas” que é dominante nos filmes de “acção real”.

Não será caso para atirar foguetes, mas registe-se o facto de, tantos anos e tantos filmes depois, a vaga dos super-heróis ainda conseguir encontrar forças para parecer envergar um semblante de novidade e de energia.