Universidade de Aveiro ganha concurso da NATO para detectar mensagens extremistas

O uso das redes sociais para difundir mensagens extremistas, através da manipulação de imagens é considerado pela NATO "um risco claro para a segurança da Aliança Atlântica", pelo que o objectivo é detectar conteúdo malicioso em vídeos e fotos online.

Universidade de Aveiro
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Universidade de Aveiro Sérgio Azenha

A NATO anunciou nesta segunda-feira em Riga, Letónia, que a proposta vencedora para detectar o uso malicioso de vídeos e fotos na Net foi a apresentada pela Universidade de Aveiro (UA), reportou a universidade portuguesa em comunicado.

"A proposta que a Universidade de Aveiro apresentou à NATO ganhou face às duas concorrentes da final: um projecto apresentado pela Universidade de Torino e outro apresentado por uma startup [empresa emergente em fase de desenvolvimento] da Lituânia", comunicou à Lusa fonte académica.

A Universidade de Aveiro apresentou-se ao concurso do Strategic Communications Centre of Excellence (NATO stratcom) e havia já sido uma das três seleccionadas para a escolha final.

A Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO na sigla em inglês) havia lançado o desafio a especialistas em Informática e Sistemas Inteligentes, de criarem um sistema capaz de combater mensagens extremistas na Internet.

O uso das redes sociais para difundir mensagens extremistas, através da manipulação de imagens é considerado pela NATO "um risco claro para a segurança da Aliança Atlântica", pelo que o objectivo é detectar conteúdo malicioso em vídeos e fotos online.

A proposta apresentada pela equipa da UA passa pelo desenvolvimento de um sistema capaz de analisar imagens, sejam em formato vídeo, sejam em fotografia. Em primeiro lugar o sistema vai esmiuçar os objectos, pretendendo-se que no final da análise todos os objectos presentes nas imagens estejam rastreados, de forma a que sejam ou não identificados aqueles que possam estar potencialmente ligados a grupos extremistas.

O dispositivo informático permitirá também concluir se as imagens são originais ou se sofreram qualquer tipo de manipulação.

Por último, o sistema desenvolvido pela UA terá a capacidade de analisar a informação extraída das imagens, enquadrada com as eventuais mensagens que a possam acompanhar como posts, ou comentários a elas ligados nas redes sociais.

O projecto vencedor é assinado por Daniel Canedo, António Neves, José Luis Oliveira, Alina Trifan e Ricardo Ribeiro, especialistas em Informática do Instituto de Engenharia Electrónica e Informática de Aveiro (IEETA) da UA e do respectivo Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática (DETI).