Socialistas europeus querem voto útil contra populismos anti-Europa

Fernando Medina apelou à necessidade de políticas progressistas de proximidade. Carlos Zorrinho fala no combate contra os “anti-europeus”.

António Costa e Fernando Medina com Sergei Stanishev (PSE) e Frans Timmermans
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António Costa e Fernando Medina com Sergei Stanishev (PSE) e Frans Timmermans mário cruz/lusa

Os socialistas europeus estão esta sexta-feira reunidos em Lisboa com os olhos postos nas eleições europeias de 26 de Maio do próximo ano e olham para este combate como uma luta em que há apenas dois lados definidos: os democratas e os populistas. E para combater os populistas, os socialistas defendem medidas “progressistas” porque só assim é possível lutar pelo projecto europeu.

Esta ideia, que na verdade é a linha orientadora dos princípios do Partido Socialista Europeu (PSE) no caminho para as europeias do próximo ano, foi defendida na cerimónia de abertura do congresso do partido. Achim Post, secretário-geral do PSE e deputado do SPD alemão no Parlamento Europeu, começou por falar da necessidade de se pensar directamente nas eleições de 2019 e que se trata de uma “escolha entre conservadores e socialistas”.

Fernando Medina, o primeiro português a discursar por ser o presidente da câmara que acolhe o congresso, lembrou que é preciso olhar para o que os socialistas têm na Europa e não só para o que não têm, ou seja, que não se deve apenas olhar para os governos, mas para os presidentes de câmara. Nessa sua contabilização, Medida afirmou que grande parte dos presidentes de câmara são “progressistas”.

"As principais cidades do mundo são governadas por progressistas. E mesmo no pequeno número de grandes cidades que não têm autarcas progressistas, mas de direita, a maior parte delas segue uma agenda de políticas progressistas”, defendeu. E essa agenda de políticas progressistas “é a única que responde aos problemas dos cidadãos”, acrescentou.

Num discurso aplaudido pela plateia, Medina defendeu que pensar em políticas progressivas para os cidadãos, a começar pelas de proximidade, é aquilo que é preciso "fazer neste movimento em prol das eleições europeias".

Depois de Medina, subiu ao palco o eurodeputado Carlos Zorrinho, que colocou o debate actual neste prisma: “Nas próximas eleições europeias de 26 de Maio de 2019 vão ser travados dois combates fundamentais que não se confundem. O primeiro é o da sobrevivência do projecto europeu e dos seus valores, é vencer os anti-europeus. E o segundo é mostrar que dentro dos que defendem a Europa, há uma alternativa. “Temos de vencer os anti-europeus, consolidar a maioria pró-europeia” e isso será feito se os socialistas conseguirem cativar o “voto útil”. “não haverá voto mais útil que aqueles votos que forem canalizados para os socialistas e sociais-democratas, e para o PS em Portugal. É o voto útil que serve para salvar o projecto europeu de radicalismos”, disse Zorrinho. Temos de vencer os anti-europeus, consolidar a maioria pró-europeia”, defendeu. 

“Temos de vencer os anti-europeus, consolidar a maioria pró-europeia” e isso será feito se os socialistas conseguirem cativar o “voto útil”. “Não haverá voto mais útil que aqueles votos que forem canalizados para os socialistas e sociais-democratas, e para o PS em Portugal. É o voto útil que serve para salvar o projecto europeu de radicalismos”, disse Zorrinho.

Em relação ao primeiro combate, contra os populismos crescentes, Zorrinho afirmou que “o desafio não é simples; os populistas capitalizam a incerteza e o medo de mudança” e por isso é preciso ter contenção na hora de prometer. “Não podemos prometer o que não podemos assegurar”, acrescentou.

Quanto ao segundo combate, é preciso mostrar que a “alternativa” funciona e para isso, diz Zorrinho, é preciso falar das experiências dos socialistas que correram bem, como em Portugal. Vai ser uma “luta entre esquerda e direita, entre democratas e populistas. A experiência de governação progressista em Portugal é uma inspiração muito forte para esta equação. Se tivesse de sintetizar o grande trabalho de António Costa, da sua equipa, de portugueses e de portuguesas é que têm mostrado que há alternativa. É a soma entre esperança e confiança”, disse.