Trump escolhe antiga jornalista da Fox para embaixadora nas Nações Unidas

Com a nomeação de Heather Nauert, a Casa Branca indica que pretende tirar o protagonismo que Nikki Haley deu ao cargo.

Heather Nauert é porta-voz do Departamento de Estado
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Heather Nauert é porta-voz do Departamento de Estado Reuters/POOL New

Heather Nauert, uma antiga jornalista da Fox News e actual porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, é a escolha do Presidente Donald Trump para o cargo de embaixadora dos EUA nas Nações Unidas. Nauert vai substituir Nikki Haley, que anunciou a sua saída há dois meses.

Ao contrário de Haley, que foi eleita duas vezes governadora do estado da Carolina do Sul, Nauert não tem experiência política interna ou externa. Foi nomeada porta-voz do Departamento de Estado em Abril de 2017, mas nunca teve uma boa relação com o seu anterior chefe, o ex-secretário de Estado Rex Tillerson.

Com a saída de Tillerson e a entrada de Mike Pompeo e John Bolton para o topo da equipa de política externa, em Abril deste ano, Heather Nauert ganhou protagonismo – e a admiração do Presidente Trump, que elogiou a forma como ela liderou a comunicação na cimeira do G20, em Buenos Aires, na semana passada.

Nauert, de 48 anos, foi jornalista durante mais de duas décadas, a maior parte do tempo na Fox News. Entre 1998 e 2005 foi correspondente em vários programas do canal, antes de se mudar para a ABC. Em 2007 regressou à Fox News, onde nos últimos anos era uma das apresentadoras do programa mais vezes elogiado pelo Presidente Trump, o Fox & Friends.

Menos protagonismo

A sua escolha pode indicar que a Administração Trump – e, em particular o actual secretário de Estado, Mike Pompeo –, quer retirar ao cargo alguma da importância conquistada pela anterior embaixadora na ONU.

Quando foi escolhida, em Novembro de 2016, Haley exigiu que o seu cargo fizesse parte do gabinete do Presidente, com a mesma influência dos secretários da Defesa, da Justiça ou da Segurança Interna – algo que não é habitual na Casa Branca.

Com a saída de Haley e a entrada de Nauert, o cargo de embaixadora dos Estados Unidos na ONU deverá regressar a uma posição subalterna em relação ao secretário de Estado.

É provável que a nova embaixadora se limite a seguir as instruções do Presidente Trump, de Mike Pompeo e do conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, nas relações com a ONU, ao contrário do que acontecia com a sua antecessora – uma admiradora confessa da antiga primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

"O discurso de Pompeo em Bruxelas a bater na ONU, esta semana, baixou as nossas expectativas em relação à política para a ONU, seja quem for nomeado", disse Richard Gowan, do Center For Policy Research, à Bloomberg News. "É provável que os Estados Unidos apontem para a marginalização das Nações Unidas até ao resto do mandato de Trump, em contraste com a era de Haley."

Em várias ocasiões, Nikki Haley discursou nas Nações Unidas sem a autorização prévia do então secretário de Estado, e foi ela quem apresentou e deu a cara pelo corte de financiamento ao programa de ajuda da ONU aos refugiados palestinianos, anunciado em finais de Agosto.

Nikki Haley anunciou a saída do cargo em Outubro, uma decisão inesperada mas com direito a uma comunicação ao lado do Presidente Trump na Casa Branca.

Nessa ocasião, Haley quis desfazer os rumores que a davam como possível opositora interna de Trump, garantindo que não vai candidatar-se à nomeação pelo Partido Republicano nas eleições de 2020. Justificou a saída do cargo com o cansaço de oito anos como governadora da Carolina do Sul e quase dois como embaixadora da ONU.

Depois de ser nomeada pelo Presidente Trump, Heather Nauert tem de ser confirmada por uma maioria simples no Senado norte-americano, o que deverá acontecer a partir de Janeiro – quando o Partido Republicano terá 53 senadores contra 47 do Partido Democrata.