Brisa diz que ameaça de credores de ficar com concessões é "típica" de um especulador

As duas concessionárias da Brisa estão em incumprimento e somam uma dívida superior a 1,5 mil milhões de euros. Os credores propõem um perdão de 800 milhões, mas exigem o pagamento dos restantes 700 milhões ou tomam posse das concessões.

As duas concessões entraram em dificuldades financeiras em 2012 e 2014
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As duas concessões entraram em dificuldades financeiras em 2012 e 2014 NFACTOS/Fernando Veludo

Para a Brisa, empresa concessionária de várias auto-estradas portuguesas, a possibilidade dos credores das concessionárias Litoral Centro (Brisal) e Douro Litoral tomarem posse das concessões, caso as duas partes não cheguem a um acordo, sobre o pagamento de uma dívida, é “uma ameaça típica de um hedge fund, um investidor especulador, que deitou abaixo um acordo assinado". 

Em causa está o incumprimento de uma dívida de 1,5 mil milhões de euros das duas concessões da Brisa aos fundos Strategic Value Partners (SVP) e Cross Ocean, Deutsche Bank , JP Morgan e o Banco Europeu de Investimento.

Os credores terão, segundo a edição desta sexta-feira do Jornal de Negócios, proposto um perdão da dívida de 60% no caso da Douro Litoral e de 45% no caso da Brisal. No total, a dívida da Brisal — que entrou em incumprimento em 2012 — ultrapassa os 500 milhões de euros. Já a dívida da Douro Litoral ultrapassa uma dívida de 1000 milhões de euros, escreve o jornal.

Contas feitas, a proposta dos credores assenta num perdão de 800 milhões de euros. Por pagar ficam 700 milhões. Caso a Brisa não chegue a acordo com os credores, o grupo poderá, alegadamente, reclamar legalmente da posse das duas concessões.

“Retirar a concessão é uma ameaça típica de um hedge fund, um investidor especulador, que deitou abaixo um acordo assinado com os credores, dos quais fazia parte, e que agora vem exigir uma rentabilidade injustificada”, afirma em declarações ao PÚBLICO fonte oficial da Brisa.

“A SVP Global adquiriu uma dívida a desconto por cerca de 330 milhões de euros e agora exige uma recompra por um valor da ordem dos 750 milhões de euros”, acrescenta a mesma fonte da Brisa.