Há que celebrá-las: Viva La Vulva

Já há um hino para todas as vulvas e para todas (e todos) aqueles que ousem descobri-las, celebrá-las, elogiá-las e, espera-se, normalizá-las. É pelo menos esse o objectivo do anúncio publicitário Viva La Vulva, onde uma panóplia de objectos, alimentos, fantoches e ilustrações — todos provocadoramente semelhantes a vulvas— ganham lábios que, alegres, fazem playback ao som de Take Yo' Praise, de Camille Yarbrough (canção conhecida, sobretudo, por causa de Praise You, a versão de Fatboy Slim). A mensagem: não há duas vulvas iguais.

O vídeo foi realizado por Kim Gehrig, realizadora australiana a viver em Londres, e mostra, por exemplo, uma mulher a ver ao espelho a sua vulva e uma boneca que fica chocada ao descobrir que não tem uma. A campanha "de celebração da variedade" foi produzida para a Libresse — a mesma marca sueca de produtos de higiene que usou um líquido vermelho, e não azul como é norma, para simular sangue menstrual. A campanha de 2017 Blood Normal (“o período é normal, mostrá-lo também deveria ser”) acabou por receber o grande prémio este ano em Cannes, na área da publicidade “capaz de mudar o mundo”.

Agora, a marca justifica a mais recente campanha com estudos próprios que mostram que quase metade das pessoas questionadas se sentiam envergonhadas pela forma como a sua vulva é ou cheira e quase 70% dizia não saber descrevê-la. Falam também no aumento registado na última década do número labioplastias (redução dos pequenos lábios vaginais) por razões estéticas. O raciocínio: como é que se cuida de algo que não se conhece?

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