Estudantes inspirados pelos "coletes amarelos" tomam liceus

O dispositivo de segurança será reforçado no sábado, dia de nova manifestação dos "coletes amarelos". Estão 65 mil polícias mobilizados e a Torre Eiffel estará fechada por não estarem garantidas "condições de segurança".

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Em Montpellier, no sul de França LUSA/GUILLAUME HORCAJUELO
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Para o próximo sábado está marcada uma nova manifestação dos “coletes amarelos” em Paris, a quarta no espaço de um mês. Inspirados pelos protestos do último sábado, estudantes de todo o país convocaram manifestações em escolas secundárias, que, nesta quinta-feira, causaram confrontos com as autoridades e violência.

Há entre 200 e 300 escolas fechadas pelos estudantes — isto é, cerca de 5% do total de estabelecimentos de ensino franceses — desde o início da semana. Manifestam-se contra o aumento do valor das propinas para alunos vindos de países fora da União Europeia e contra a reforma do ensino secundário e superior apresentada pelo Governo.

Entre as reivindicações conta-se ainda o fim da Parcoursup, plataforma de acesso ao ensino superior. De acordo com os estudantes, o site, que funciona com base num algoritmo, apresentou várias falhas no último concurso – para além da lentidão houve vários casos de estudantes que ficaram sem colocação, detalha o jornal Ouest-France. Os alunos do ensino secundário pedem que se regresse ao sistema antigo ou se altere o actual para que tenha menos critérios de selecção.

Ao longo dos últimos quatro dias registaram-se vários episódios de violência: caixotes do lixo queimados, viaturas carbonizadas e vandalizadas, confrontos com a polícia de intervenção, feridos e detenções. Só nesta quinta-feira, foram detidas 47 pessoas em Lille, escreve o Le Figaro

Torre Eiffel fechada no próximo sábado

Apesar de Emmanuel Macron ter cedido e prometido a suspensão, durante seis meses, de um novo imposto sobre o combustível, os "coletes amarelos" não desmobilizam. Para o próximo sábado está marcada outra manifestação. As autoridades esperam “grande violência”, à semelhança do que tem acontecido nas últimas acções de protesto dos "coletes amarelos", o que implica um reforço do dispositivo de segurança.

Serão mobilizados mais de 65 mil polícias, anunciou o primeiro-ministro Edouard Philippe, um número bastante superior aos 5000 destacados no último sábado. Vários locais públicos estarão fechados. Entre eles a Torre Eiffel, conforme anunciou, nesta quinta-feira, a empresa que explora o espaço.

“As manifestações marcadas para o próximo sábado, dia 8, em Paris não nos permitem receber os visitantes em condições de segurança”, lê-se na página de Facebook da SETE, empresa responsável pelo espaço. Os visitantes que tenham comprado o bilhete para esse dia via internet serão automaticamente reembolsados.

Cerca de uma dezena de museus, entre eles o Petit Palais e o museu Cernuschi, próximos dos Campos Elísios, uma das zonas mais afectadas pelas manifestações da semana passada, estarão encerrados no sábado, a pedido da polícia, assim como algumas lojas no centro da capital francesa.

Também os jogos do Paris Saint-Germain-Montpellier, Mónaco-Nice e Saint-Etienne-Marselha foram adiados a pedido das autoridades locais, devido ao movimento dos "coletes amarelos".

Na semana passada, os manifestantes tomaram o Arco do Triunfo e deixaram para trás um rasto de destruição. Mais de 400 pessoas foram detidas e registaram-se 200 feridos. Dezenas de estações de metro da capital foram encerradas e lojas evacuadas.