Detida, a artista cubana Tania Bruguera entrou em greve de fome

Artistas cubanos protestam contra a introdução do decreto 349, uma lei que prevê a aprovação de licenças.

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Tania Bruguera no Porto, onde em 2017 apresentou uma encenação de Endgame, de Samuel Beckett PAULO PIMENTA

Tania Bruguera e outros dois artistas cubanos detidos na segunda-feira entraram em greve de fome. Protestavam contra o decreto 349, uma nova lei que pretende obrigar todos os artistas e músicos a pedirem uma licença ao governo, e que deve entrar em vigor esta sexta-feira.

O decreto 349 é uma das primeiras leis assinadas por Miguel Díaz-Canel desde que sucedeu a Raúl Castro como Presidente de Cuba, em Abril. O Governo argumenta que o objectivo é evitar a fuga aos impostos.

Bruguera, performer e autora de instalações que tem neste momento uma exposição no Turbine Hall da Tate Modern, em Londres, esteve no Porto no ano passado a convite da BoCA (Biennial of Contemporary Arts), tendo apresentado uma encenação da peça Endgame, de Samuel Beckett, no Mosteiro de São Bento da Vitória.

Segundo o jornal Guardian, Tania Bruguera foi levada pela polícia pouco depois de sair de sua casa em Havana na segunda-feira, quando se preparava para se juntar a uma manifestação em frente ao Ministério da Cultura, ao mesmo tempo que também eram detidos o artista Luis Manuel Otero Alcántara e a curadora Yanelys Núñez Leyva. Os três foram levados para a prisão de Vivac, segundo o Guardian, o que está a ser interpretado como um indício de que a detenção vai ser longa. À greve de fome juntaram-se também outros activistas, como o poeta Amaury Pacheco, detido igualmente esta semana mas entretanto libertado.

Artista política, Tania Bruguera, que já esteve várias vezes detida, tem uma obra que lida com os tópicos do poder, do controlo e da manipulação.