Primeiro presidente do IPO do Porto distinguido pela Liga contra o Cancro

A Liga Portuguesa Contra o Cancro distingue nesta quarta-feira, Dia Internacional do Voluntariado, o cirurgião oncológico José Guimarães dos Santos.

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Prémio será entregue na Liga Portuguesa contra o Cancro, no Porto Paulo Pimenta

Em Dia Internacional do Voluntariado também se premeia quem dedica boa parte da sua vida a uma causa. Foi por essa razão que a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) decidiu distinguir, nesta quarta-feira, com o Prémio Nacional de Oncologia - Artur Santos Silva, o médico cirurgião José Guimarães dos Santos. O médico recebe o prémio numa cerimónia no Núcleo Regional do Norte da LPCC, que decorre entre as 10h e o meio-dia.

Com o intuito de “dignificar uma figura incontornável da oncologia nacional”, diz aquela entidade em comunicado, a LPCC atribuiu o prémio ao primeiro presidente do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. José Guimarães dos Santos encara o prémio como a valorização do trabalho que desenvolveu no IPO do Porto. “Penso que contribuí de forma significativa, com um papel relevante, para a oncologia cirúrgica em Portugal”, diz.

Hoje conta 84 anos de vida e boa parte dela dedicada à luta contra o cancro através da cirurgia. O médico foi um dos membros fundadores da Sociedade Portuguesa de Oncologia - da qual também foi presidente - e da Federação Mundial das Sociedades de Oncologia Cirúrgica. Dedicou 19 anos à gestão clínico-administrativa do IPO, além do tempo de trabalho, “uma vida dedicada ao IPO”, diz.

Antes daquele instituto, José Guimarães dos Santos esteve nos Estados Unidos da América, onde fez o internato em cirurgia oncológica e em Timor, como militar. De lá trouxe ensinamentos para a vida. Esse sentido de internacionalidade levou-o a projectar o tratamento oncológico que se faz em Portugal para o mundo, nomeadamente na Federação Mundial das Sociedades de Oncologia Cirúrgica. Vestiu ainda o papel de impulsionador para a criação dos Grupos de Estudo do Cancro da Mama, Digestivo e Ginecológico, além de ter sido presidente da European Surgical Society of Oncology. “A Europa deve muito a Portugal”, remata.

Por isso, o cirurgião (que hoje já não opera, dedicando o seu saber apenas às consultas) acredita que a luta contra o cancro em Portugal está no bom caminho. “Os vários tratamentos – quer seja a cirurgia oncológica, as quimio, as hormono ou as radioterapias – são praticados com sucesso”, salienta.

Tendo em conta que o cancro ainda é uma das patologias que mexe mais com o cidadão, o trabalho voluntário adquire relevância. “O voluntariado é fundamental e insubstituível porque depende só da pessoa e não de uma organização, apesar de poder haver apoios”. Para José Guimarães dos Santos “há uma carência de pessoas com formação especializada e o trabalho voluntário é essencial para ultrapassar várias etapas”.

O prémio que vai receber tem um valor de 20 mil euros e distingue uma personalidade que se tenha destacado na área da oncologia. No mesmo evento, a Liga Portuguesa Contra o Cancro vai homenagear 64 voluntários da instituição pelos seus cinco, 10, 15, 20 e 25 anos dedicados ao apoio a doentes oncológicos e às suas famílias. A cerimónia contará com a presença do director da LPCC, Vítor Veloso, do coordenador das doenças oncológicas do Ministério da Saúde, Nuno Miranda e do bispo do Porto, Dom Manuel Linda, que fará uma palestra sob o voluntariado.