Henrique Barros vai presidir ao Conselho Nacional de Saúde

Professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e ex-coordenador nacional do VIH/Sida vai ocupar o cargo até agora ocupado por Jorge Simões, marido da ministra da Saúde.

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Henrique Barros, numa etapa da avaliação do Projecto Geração 21, em Novembro de 2018 Andre Rodrigues

O médico e presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e da International Epidemological Association Henrique Barros, vai presidir ao Conselho Nacional de Saúde (CNS), soube o PÚBLICO. O ex-coordenador nacional do VIH/Sida vai substituir Jorge Simões, marido da nova ministra da Saúde, Marta Temido, que, em Outubro, renunciou ao cargo, invocando "motivos pessoais".

Jorge Simões renunciou à presidência daquele órgão consultivo do Governo quatro dias depois de a sua mulher ter tomado posse como ministra da Saúde, substituindo Adalberto Campos Fernandes.

Nas palavras de um ex-membro do Governo, a escolha de Henrique Barros para o CNS representa um reforço da posição do Porto na área da saúde.

Henrique Barros é coordenador do Projecto Geração 21 (dos investigadores do ISPUP) que acompanha mais de oito mil crianças desde o dia em que nasceram. É um dos maiores estudos longitudinais da Europa e o único deste tipo alguma vez realizado em Portugal. Tudo começou em 2005 com 8600 recém-nascidos nas maternidades públicas da área metropolitana do Porto.

Natural do Porto, Henrique Barros, de 61 anos, é professor de Epidemiologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e tem vários trabalhos de investigação em áreas relacionadas com a epidemiologia e as doenças cardiovasculares, infecciosas e cancro.

Em Outubro, numa sessão evocativa do Dia Mundial da Saúde Mental, Henrique Barros alertava para a falta de “recursos humanos e técnicos especializados” no sistema de saúde para responder às necessidades de problemas de saúde mental. Sublinhava também que, apesar da área da saúde mental ter vindo a assumir uma “grande importância” e ser, actualmente, considerada “uma das áreas prioritárias de intervenção” no sistema de cuidados de saúde público, continua a existir “um défice de resposta por parte das estruturas” relativamente ao tratamento dos doentes.

Numa entrevista ao Expresso, em Julho deste ano, afirmava que as mulheres portuguesas fumam mais do que as de outros países com desenvolvimento económico e social parecido. Mesmo se todas deixassem de fumar, está já iniciado o processo patológico que desencadeará um pico de tumores no pulmão dentro de uma década.

Segundo a página online do Serviço Nacional de Saúde, o Conselho Nacional de Saúde "é um órgão consultivo do Governo, independente", composto por 30 membros e visa "garantir a participação das várias forças científicas, sociais, culturais e económicas, na procura de consensos alargados relativamente à política de saúde". Tem ainda representantes dos utentes, eleitos pela Assembleia da República, das ordens profissionais, das autarquias e personalidades de reconhecido mérito na área da saúde, indicados por várias entidades, com um mandato de quatro anos não renovável.

O presidente e o vice-presidente do organismo são designados pelo Conselho de Ministros, sob proposta do membro do Governo responsável pela área da Saúde, e tudo indica que a nomeação de Henrique Barros será aprovada numa das próximas reuniões do Conselho de Ministros.