Crónica de jogo

O Benfica foi melhor que o Paços no jogo dos suplentes

Triunfo na Luz, por 2-0, sobre o líder da II Liga deixa os “encarnados” a um ponto do apuramento para a final a quatro da Taça da Liga. Decisão será frente ao Desportivo das Aves.

João Félix marcou um dos golos do Benfica frente ao Paços de Ferreira
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João Félix marcou um dos golos do Benfica frente ao Paços de Ferreira LUSA/RODRIGUES ANTUNES

A Taça da Liga continua a ser aquela competição que está longe das prioridades dos clubes participantes, que usam os jogos para dar descanso às primeiras opções e rodagem às segundas. Foi o que fizeram nesta quarta-feira, na Luz, Benfica e Paços de Ferreira, a relativizarem a importância da competição com equipas muito alternativas. Mas a ordem natural manteve-se. Os “encarnados” triunfaram por 2-0 e ficaram mais perto da qualificação no Grupo A, bastando um empate em casa do Desportivo das Aves para garantirem o seu lugar na final a quatro.

Cumprido mais ou menos um terço da época, o Benfica está mais preocupado em manter-se perto dos primeiros na I Liga, enquanto o Paços quer manter-se confortável na liderança da II Liga e garantir o mais depressa possível um lugar entre os “grandes”. Por isso, tanto Rui Vitória como Vítor Oliveira foram pelo caminho das segundas escolhas, com tudo o que isso implicava em termos de qualidade e competitividade do jogo (ambas baixas), a corresponder à baixa audiência na Luz. Seja quem estivesse em campo, seria expectável uma superioridade do Benfica e foi isso que aconteceu.

Com as primeiras opções quase todas na defesa (Jardel, Rúben Dias e André Almeida), o Benfica mostrou-se naturalmente preso de movimentos e com um domínio não esmagador, mas mais que suficiente para se colocar em vantagem aos 11’. Alfa Semedo avançou por um flanco, fez o cruzamento para a pequena área e Seferovic encaminhou a bola para o fundo da baliza. O avançado suíço pareceu estar ligeiramente adiantado em relação à linha defensiva pacense, mas não o suficiente para a equipa de arbitragem liderada por António Nobre assinalar fora de jogo.

Não sendo um início espectacular, era um início eficiente dos homens de Rui Vitória, que se iam limitando a controlar, o suficiente para o seu visitante da segunda divisão se aventurar um pouco lá mais para a frente. Foi o que aconteceu aos 40’, com um arranque de Fatai pela direita — o nigeriano conseguiu fazer o cruzamento para a área, mas Andrezinho falhou completamente o remate e a jogada perdeu-se.

Mesmo em cima do intervalo, os “encarnados” aumentaram a vantagem, aproveitando da melhor maneira uma falha de comunicação da defesa do Paços. João Félix (o melhor em campo) iniciou a jogada, meteu a bola em Zivkovic e recebeu-a de volta em posição frontal à baliza, terminando com um remate indefensável para Carlos.

Para a segunda parte, Vítor Oliveira lá se convenceu a meter dois jogadores com mais rodagem (entraram Pedrinho e Uilton), e o Paços melhorou ligeiramente, mas não inverteu a tendência de jogo. E, logo aos 50’, os “encarnados” tiveram uma dupla oportunidade por Seferovic: primeiro um belo remate ao poste, depois um fraco remate que saiu ao lado. Com a tendência de jogo a manter-se, o jogo foi-se arrastando, com Douglas Tanque a criar perigo relativo em dois momentos, num livre directo rasteiro que Svilar defendeu aos 66’ e num remate de pouca pontaria aos 86’. Alfa Semedo também esteve perto de marcar numa jogada individual, aos 68’, mas Carlos impediu o golo do médio.

Quando o árbitro apitou pela última vez, foi alívio para ambas as equipas: para o Benfica porque vai passando por esta obrigação (onde é, de longe o recordista de títulos) sem grandes percalços (duas vitórias em dois jogos), e para o Paços que vai poder concentrar-se no que verdadeiramente lhe interessa, o regresso à I Liga. Sábado, em Setúbal, e domingo, em Oliveira de Azeméis. Era nestes jogos que Rui Vitória e Vítor Oliveira estavam a pensar.