Ministério da Economia estima que Web Summit gerou até 124 milhões de valor acrescentado

Análise do Gabinete de Estratégia e Estudos indica receitas fiscais entre os 25 milhões e os 52 milhões de euros. Impacto nas startups não foi avaliado.

A terceira edição teve cerca de 70 mil participantes
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A terceira edição teve cerca de 70 mil participantes Miguel Manso

O Ministério da Economia estimou que a última edição da Web Summit trouxe à economia do país um valor acrescentado que poderá ter alcançado os 124 milhões de euros. A conclusão faz parte de uma análise que tem em conta os gastos dos cerca de 70 mil participantes e da própria organização do evento. Mas não contempla factores como o impacto nas startups, numa demonstração de que avaliar o evento com que Portugal se comprometeu durante dez anos é um exercício com várias incógnitas.

A análise foi publicada pelo Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia. Inclui estimativas para o impacto desde 2016 – quando se realizou a primeira Web Summit em Lisboa – até 2028, ano até ao qual a conferência deverá ter lugar em Lisboa.

Segundo o documento, este ano, o impacto da Web Summit no valor acrescentado bruto da economia portuguesa oscilou entre os 61 milhões de euros, no cenário menos optimista, e os 124 milhões de euros, no melhor caso. A diferença de valor entre os dois cenários é, em parte, explicada por uma diferença no número de dormidas contabilizadas pelo estudo: num caso, cinco noites por participante, enquanto no outro, apenas quatro.

As despesas directas associadas à conferência terão estado entre os 73 milhões e os 87 milhões de euros. São números que incluem as despesas dos participantes (excluindo transportes aéreos) e gastos da própria Web Summit, os quais (com base em informação da organização) foram estimadas em 30% das receitas. Para calcular estas receitas foi considerado um valor de 800 euros por bilhete – o evento tem bilhetes que vão das centenas de euros aos 25 mil euros e há participantes (como a imprensa, os oradores, vários convidados e alguns estudantes) que têm acesso gratuito.

As receitas fiscais foram calculadas entre os 25 milhões e os 52 milhões de euros.

Para 2028, a estimativa mais optimista indica um valor acrescentado bruto de perto de 386 milhões de euros, um número que pressupõe 130 mil participantes, a grande maioria dos quais estrangeiros. As receitas com impostos poderão ascender aos 94 milhões de euros.

Em Outubro, a Web Summit anunciou que ficaria em Lisboa por mais uma década. Como contrapartida, receberá um total em torno de 11 milhões de euros anuais. A câmara de Lisboa prometeu também ampliar a Feira Internacional de Lisboa, onde parte do evento se realiza.

Para lá do impacto turístico, também o efeito da Web Summit no sector tecnológico português tem vindo a ser tema de debate. A análise do gabinete do Ministério da Economia não contempla, “por falta de informação”, efeitos como a criação e o desenvolvimento de novas empresas.

O relatório nota ainda que o impacto na economia está dependente da evolução dos preços de serviços como a hotelaria e a restauração, e sugere que seja apurado, por inquérito, quantas noites passam de facto os participantes em Portugal.