Candidato da Aliança ao PE distancia-se de críticas do partido à União Europeia

Paulo Almeida Sande não concorda com a visão de Carlos Pinto. E não se revê na posição que o mesmo dirigente nacional assumiu sobre Borba, quando falou em "obediência cega a Bruxelas".

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Paulo Almeida Sande anunciou candidatura com Santana Lopes JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O independente Paulo Almeida Sande, que vai liderar a lista da Aliança ao Parlamento Europeu (PE), não vê o partido pelo qual concorre como sendo “profundamente europeísta” e distancia-se das recentes declarações do dirigente nacional Carlos Pinto, que ligou a tragédia de Borba à falta de recursos do Estado por “obediência cega a Bruxelas”.

“Não vejo o partido Aliança como um partido profundamente europeísta. Vejo-o como um partido que está, no fundo, a formar a sua ideologia, que tem ideias relativamente claras sobre o que quer e que acredita numa União Europeia que tem de alterar algumas coisas nos seus procedimentos, mas isso achamos todos e eu também acho e sempre achei”, afirma Paulo Almeida Sande ao PÚBLICO.

Assumindo-se como um “europeísta convicto”, o candidato, apresentado este domingo, defende que Portugal deve ter uma relação inteligente com a UE e promete que a campanha que vai fazer para as eleições europeias de Maio defenderá “a permanência e a posição e Portugal na União Europeia”.

"Obediência cega"

Paulo Almeida Sande distancia-se da posição de Carlos Pinto, membro da Comissão Instaladora Nacional da Aliança, que, a propósito da tragédia de Borba, disse que o que aconteceu se deveu “à falta de recursos do Estado por obediência cega a Bruxelas”.

Salvaguardando que não ouviu as declarações em causa, Paulo Almeida Sande esclarece: “Obviamente que a obediência cega de Bruxelas é sempre uma coisa má, não tem interesse nenhum. Não é assim que Portugal deve estar na União Europeia, Portugal deve estar na União Europeia para, nessa união com outros estados, servir os interesses dos portugueses. Isso consegue-se com uma relação inteligente com as políticas europeias — e isso é possível”.

“A tragédia de Borba, por muito que a lamentemos, por muito que não busquemos responsáveis, não pode deixar de estar ligada à política que o Governo, em obediência cega a Bruxelas, tem seguido de cativações, unicamente com o objectivo de cumprir os valores nominais de défice”, acusou Carlos Pinto, em conferência de imprensa a 21 de Novembro. Pinto sublinhou, contudo, que a Aliança é um partido “profundamente europeísta”.

Para o candidato da Aliança ao Parlamento Europeu, que é regente da disciplina de Construção Europeia do Curso de Ciência Política do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, “a obediência cega” não é boa. “Portugal tem de ser capaz de fazer o que lhe interessa e dentro da União Europeia tem margem de manobra para conseguir os seus interesses”.

Um dia depois de ter sido apresentado como cabeça de lista ao PE ao partido, o consultor político do Presidente da República reforça a sua convicção de profundo europeísta e aproveita para separar águas: “Ser europeísta não é querer um federalismo, não é querer um estado europeu, não é querer nada disso: é querer um estado que sirva os estados, que sirva Portugal”.

“Sempre fui contra o federalismo, nunca fui a favor de uma união política. As entidades europeias são fortes e devem continuar a ser fortes e não há razão nenhuma para se dissolverem numa união política europeia”, declara o candidato, que foi apanhado de surpresa pelo convite de Pedro Santana Lopes com quem tinha conversado não mais do que “três vezes”.

Um independente

O candidato independente às europeias revela que nunca quis inscrever-se em nenhum partido, mas confessa que no início do século teve uma “actividade quase política” pela mão do antigo primeiro-ministro e líder do PSD, Durão Barroso, que o convidou para colaborar com o Missão: Portugal, um movimento independente, “mas de proximidade a um espaço político do PSD, liberal e reformista”, como o descreveu, em 2001, Gonçalo Reis, da comissão executiva do movimento.

Apesar de considerar a “Missão: Portugal bem-sucedida e agradável”, o candidato da Aliança ao Parlamento Europeu optou por ficar fora dos partidos, embora tenha tido alguns convites.

Autor de vários livros, Paulo Almeida Sande vai continuar como consultor político do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa “até ao momento em que legalmente não puder continuar e suspender as funções” – as palavras são do próprio – para fazer campanha.