A crise em França em cinco pontos-chave

Violência, pedidos que o Presidente se demita, exigências que abrangem praticamente todos os sectores económicos e políticos de França marcaram as três manifestações realizadas pelos "coletes amarelos".

Foto
LUSA/YOAN VALAT

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o seu Governo, estão sob intensa pressão na sequência de três acções de protesto do movimento dos “coletes amarelos”. A violência que os protestos geraram, que puseram Paris em estado de sítio pelo segundo sábado consecutivo, pôs França sob os holofotes.

Os manifestantes começaram por sair à rua contra o aumento do imposto sobre os combustíveis, mas rapidamente as revindicações resvalaram para temas mais abrangentes. Os “coletes amarelos” apresentaram 42 exigências ao Governo. Se não forem satisfeitas, prometem continuar a sair à rua todos os sábados e pedem a demissão de Macron.

A crise em cinco pontos:

  • A 17 de Novembro realizou-se a primeira manifestação dos “coletes amarelos”. O catalisador foi o aumento do imposto sobre os combustíveis, mas logo nesse dia juntaram-se ao protesto cerca de 290 mil pessoas em todo o país. O alvo são as políticas de Macron.
  • A violência marcou as manifestações que se realizaram nos últimos três sábados. Neste fim-de-semana, os confrontos atingiram proporções que não se viam há anos. Centenas de pessoas foram detidas e ficaram feridas.
  • Macron garantiu que não vai ceder perante a violência. Apesar disso, anunciou a revisão trimestral dos preços dos combustíveis para responder à variação do petróleo. Não foi suficiente para os “coletes amarelos”. O Presidente tem sido parco em declarações públicas sobre esta situação.
  • Representantes dos “coletes amarelos” encontraram-se, primeiro, na semana passada, com o ministro da Transição Ecológica, François de Rugy, entregando-lhe uma lista das suas 42 reivindicações. Depois, reuniram-se directamente com o primeiro-ministro, Edouard Phillipe, vendo assim satisfeita uma exigência que faziam há muito. No entanto, as negociações não alteraram nada e os protestos vão continuar.
  • Os pedidos de demissão de Macron saíram da rua para a política. Marine Le Pen, da União Nacional (extrema-direita), e Jean-Luc Melénchon, da França Insubmissa (extrema-esquerda), pediram eleições antecipadas, adensando a pressão sobre o Presidente.