Reforma da OMC foi o acordo mínimo que o G20 conseguiu

Líderes mundiais evitaram temas difíceis para garantir que encontro de Buenos Aires tivesse um comunicado conjunto final.

Foto
LUSA/LUKAS COCH

Com as atenções viradas para o encontro em que Donald Trump e Xi Jinping se preparam para discutir que rumo dar à guerra comercial entre as duas maiores potências económicas mundiais, os líderes do G20 conseguiram, graças a um texto que evita os temas mais polémicos, chegar a acordo em relação a um comunicado conjunto da cimeira, apelando a uma reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e reafirmando o isolamento dos Estados Unidos na resposta às alterações climáticas.

O comunicado final do encontro do G20 realizado em Buenos Aires, mesmo sendo o resultado de um esforço poucas vezes visto para se chegar a um texto que todos assinassem, mostra de forma clara, por tudo aquilo que lá não está escrito, as enormes divergências que existem entre as maiores potências mundiais.

Nada é dito sobre a escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia, não há qualquer referência que pudesse indicar uma crítica à Arábia Saudita por causa do caso Khashoggi e não existe uma frase que seja sobre o ressurgimento das políticas comerciais proteccionistas no globo.

Em relação ao comércio internacional, o mínimo que os líderes conseguiram foi concordar com necessidade mudar o modo de funcionamento da OMC, uma instituição que está praticamente paralisada num momento em que mais conflitos comerciais existem para gerir.

“Reconhecemos a contribuição que o sistema multilateral de comércio tem dado. O sistema está actualmente aquém dos seus objectivos e há espaço para uma melhoria. Por isso, apoiamos a necessária reforma da OMC para melhorar o seu funcionamento”, afirma o comunicado.

A reforma da OMC tem vindo a ser pedida pela União Europeia e especialmente pelos EUA, que nos últimos meses, para forçar uma mudança, têm vindo a bloquear a nomeação de novos juízes, ameaçando o funcionamento da instituição. O que os EUA desejam é que a OMC seja mais activa e eficaz a penalizar as políticas comerciais de países como a China, que a Administração Trump acusa de serem injustas.

Para a noite deste sábado, a seguir ao final da cimeira, está agendado um jantar entre os presidentes norte-americano e chinês, num encontro que acontece depois de várias horas de negociações das duas delegações na procura de uma trégua no conflito comercial do último ano.

No caso de Donald Trump e Xi Jinping acertarem uma trégua, os EUA poderão suspender a subida planeada das taxas alfandegárias de 10% para 25% em 200 milhões de dólares de produtos importados da China e, em contrapartida, a China poderá mostrar abertura para negociar uma facilitação da entrada no país de produtos e investimentos norte-americanos. Pelo contrário, um cenário em que não há entendimento pode significar a escalada de um conflito comercial com impacto em todo o planeta.

O comunicado do G20 assume a divergência entre os EUA e todos os outros países no que diz respeito ao aquecimento global, afirmando, num parágrafo, que o Acordo de Paris é irreversível, mas deixando a seguir claro que os EUA reiteram a sua decisão de o abandonar.

Donald Trump, que tinha decidido suspender o seu encontro bilateral com Vladimir Putin por causa da escalada do conflito com a Ucrânia, acabou por realizar uma reunião “informal” com o presidente russo, tendo ao mesmo tempo cancelado a conferência de imprensa que estava agendada “por respeito à família Bush e ao antigo presidente George H.W. Bush”, que faleceu esta sexta-feira.