Cabaret Maxime, de Bruno de Almeida, ganha Grande Prémio do Caminhos do Cinema

Prémio de melhor longa-metragem de ficção foi para o documentário de Leonor Teles Terra Franca, que lhe valeu ainda o prémio D. Quijote, da Federação Internacional de Cineclubes.

<i>Cabaret Maxime</i>, de Bruno de Almeida
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Cabaret Maxime, de Bruno de Almeida DR

O filme Cabaret Maxime, do realizador Bruno de Almeida, ganhou o Grande Prémio do festival Caminhos do Cinema, de Coimbra, que premiou Jorge Pelicano com o melhor documentário e primeira longa de Leonor Teles como a melhor de ficção.

O Grande Prémio do festival dedicado ao cinema português foi atribuído ao filme de Bruno de Almeida, que conta a história de Bennie Gaza, dono de um cabaret onde um grupo de artistas apresenta números musicais, de burlesco, comédia e strip-tease, numa altura em que o bairro onde se encontra começa a sofrer um processo de gentrificação.

"Um texto que se constrói nas ruínas de um mundo que não volta mais", sublinhou o júri, sobre a obra de Bruno de Almeida, que recebeu também o galardão de melhor realizador.

Leonor Teles, com a sua primeira longa-metragem Terra Franca, um documentário, recebeu o prémio de melhor longa de ficção. "O júri decidiu atribuir este prémio a um documentário de longa-metragem. Filmado num tempo largo e com dispositivos narrativos tão complexos como um filme de ficção, o filme lembra-nos o que fica, para além de todas as tempestades", justificou o júri do Caminhos.

Leonor Teles conquistou ainda o prémio D. Quijote, da Federação Internacional de Cineclubes, que decidiu também atribuir uma menção honrosa a Maria, de Catarina Neves Ricci.

O filme Até que o Porno nos Separe, de Jorge Pelicano, conquistou o prémio de melhor documentário, com o júri a considerar que esta obra sobre a relação entre uma mãe conservadora e o filho actor porno gay é, "mais do que tudo, uma grande história de amor".

Entre Sombras, de Mónica Santos e Alice Guimarães, venceu o de melhor animação do festival, e Anteu, de João Vladimiro, o de melhor curta.

O trabalho musical de Manuel João Vieira para o Cabaret Maxime conquistou o galardão de melhor banda sonora, filme que ainda conquistou o prémio de melhor direcção artística pelo trabalho de João Torres.

João Ribeiro venceu o prémio de direcção de fotografia, no filme A Árvore, de André Gil Mata. O prémio de imprensa foi para Bostofrio, oú le ciel rejoint la terre, de Paulo Carneiro. E na secção Ensaios (dedicada a filmes produzidos em contexto académico), Um Marco no Futebol, de José Caetano (Universidade da Beira Interior), recebeu o prémio na competição nacional, e Vidas Cinza, de Leonardo Martinelli, na competição internacional.

O festival arrancou a 23 de Novembro, com o simpósio Fusões no Cinema, em São João da Madeira, sendo que a competição cinematográfica da selecção principal decorreu no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, onde este sábado se realiza a cerimónia de encerramento e entrega de prémios, pelas 21h45.

Na sua 24.ª edição, o festival dedicado ao cinema português contou com 26 longas-metragens, 110 curtas, 17 documentários e 21 animações, num total de 74 horas, cinco minutos e 55 segundos de "novos caminhos".