“No Alibaba vendemos tudo, de leite a Maseratis”

O gigante chinês das vendas online veio piscar o olho às empresas portuguesas. Mas admite que só quem sabe o caminho é que consegue lá chegar.

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Reuters/ALY SONG

A China pode ser a fábrica do mundo e o maior exportador global. Mas o grupo Alibaba, um gigante de vendas online e uma das tecnológicas mais importantes daquele país, está a apostar em fazer negócio no sentido contrário, aliciando marcas de outros países a vender para o enorme mercado de consumidores chineses. A operação de charme também já chegou a Portugal.

“No Alibaba vendemos tudo, de leite a Maseratis”, observou Rodrigo Foresio, director da multinacional para o sul Europa, numa conversa com o PÚBLICO. O grupo organizou nesta quinta-feira uma conferência em Lisboa, na qual assinou um acordo com a AICEP, a agência pública de investimento e promoção externa. O evento aconteceu nas vésperas da visita do presidente chinês a Portugal.

Foresio explicou que a Alibaba não pretende dar uma solução para todos os desafios de uma entrada no mercado chinês. “As empresas têm de estar bem preparadas, de saber o caminho, mas amanhã podem começar a vender os seus produtos a consumidores na China. Não estamos aqui para resolver todos os problemas, mas para facilitar as vendas e para facilitar a construção das marcas na China”.

O Alibaba – que foi criado em 1999 e que em 2014 protagonizou em Nova Iorque uma das maiores entradas em bolsa de sempre – começou há três anos um esforço de globalização. Abriu escritórios noutros continentes (incluindo em vários países europeus), alicia empresas, exporta soluções como o Alipay, um sistema de pagamentos por telemóvel, que é o mais popular do género entre os compradores na China e que a empresa se esforça por promover junto dos turistas chineses que vão ao estrangeiro. Em Portugal, está disponível no El Corte Inglés e o BCP (cujo principal accionista é a chinesa Fosun) começou a disponibilizá-lo aos comerciantes que usam as soluções de pagamento do banco.

O império Alibaba inclui múltiplos sites de vendas focados no mercado chinês. O Taobao permite a venda directa entre consumidores (ao estilo do eBay), o Tmall é um portal de vendas para empresas chinesas e o Tmall Global destina-se a empresas estrangeiras que queiram chegar aos consumidores chineses. Já o Alibaba.com é um site para comércio entre empresas. A multinacional também oferece serviços de computação em nuvem e já instalou centros de dados na Europa (no mês passado, deu início às operações de dois centros no Reino Unido).

A empresa tem ainda investido no desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial, entre as quais carros autónomos. A par de outros gigantes chineses, como o motor de busca Baidu e a operadora de telecomunicações Tencent, faz parte do esforço da China para se tornar no país dominante num sector que já está a transformar todo o tipo de negócios.

No trimestre passado, as receitas da Alibaba com a área do comércio cresceram 62%. O número de compradores nos sites da empresa atingiu os 666 milhões de pessoas, quase todas na China, um país que tem 800 milhões de utilizadores da Internet (a facturação do negócio de serviços na cloud mais do que duplicou). De acordo com o organismo chinês que analisa o comércio online, a Alibaba é a líder nas vendas a consumidores, com 53% do mercado em 2017. Mas o rival JD.com, que este ano recebeu investimento do Google, tem vindo a aproximar-se, tendo alcançado no ano passado uma fatia de 33%.

Na visita a Portugal, a Delta e a marca de acessórios Parfois foram dadas como exemplos de empresas portuguesas a vender na plataforma chinesa. “No Tmall Global, 50% são millennials”, notou Foresio, referindo-se à geração nascida nos anos 1980 e 1990. “São pessoas jovens, da moda. Pessoas que querem produtos como moda e cosméticos.”

O gestor afirmou, contudo, que não veio a Portugal com empresas ou sectores específicos em mente. “O sucesso seria regressar dentro de três meses e encontrar algum nicho, algum produto, que representasse Portugal no mercado chinês.”