Sindicatos dos enfermeiros estimam 1500 cirurgias canceladas durante a greve

Bastonária dos Enfermeiros lamenta a proposta que o Governo apresentou aos sindicatos e diz que o SNS não terá capacidade de reprogramar todas as operações nos próximos anos.

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LUSA/PAULO NOVAIS

A greve cirúrgica que foi marcada para cinco centros hospitalares já terá levado à desmarcação de 1500 operações desde que se iniciou na quinta-feira, estimam os sindicatos que convocaram a paralisação. Em reacção à greve, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros lamentou a proposta que o Governo apresentou aos sindicatos e afirmou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não terá capacidade de reprogramar todas as operações nos próximos anos.

O balanço foi feito esta terça-feira pelo Sindicato Democráticos dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) na sua página do Facebook, sindicato que a par da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros marcou o protesto. “Desde o início da greve, embora infelizmente e por culpa exclusiva da tutela que mantém a surdez e a recusa em nos valorizar de acordo com o que merecemos, temos tido centenas de cirurgias programadas adiadas, aproximando-se neste momento das mil e quinhentas”, lê-se no comunicado.

A paralisação que teve início na passada quinta-feira e está marcada até ao dia 31 de Dezembro afecta os centros hospitalares do Porto, São João, Lisboa Norte, Universitário de Coimbra e Setúbal e incide sobretudo nos blocos operatórios. Os sindicatos reclamam a criação da carreira de enfermeiro especialista, a revisão da grelha salarial e a melhoria de condições de acesso à reforma.

Antes do início da greve, o Ministério da Saúde reuniu com os vários sindicatos, mas a proposta que apresentou ficou aquém das reivindicações. Sobretudo por não criar a carreira de enfermeiro especialista – prevê que seja uma função, com direito a um acréscimo remuneratório próximo dos 150 euros entretanto atribuídos.

Bastonária critica Governo e partidos

A bastonária dos enfermeiros disse estar muito preocupada e achar “extraordinário” que o Governo e os partidos políticos não se mostrem mais preocupados com a situação. “Todos percebem que o SNS não vai ter capacidade nos próximos anos para reprogramar estas cirurgias. Estamos a falar de uma greve que dura até 31 de Dezembro”, afirmou à margem da atribuição dos prémios do ranking Top 5 – A excelência dos Hospitais 2018. Segundo Ana Rita Cavaco por dia estão a ser adiadas cerca de 500 cirurgias programadas.

Para a bastonária “é uma vergonha ter um Ministério da Saúde que está completamente capturado pelo Ministério das Finanças”, acrescentando que a proposta que foi apresentada aos sindicatos dos enfermeiros “é do Ministério das Finanças, que teima em não ter sensibilidade nenhuma para perceber que se a Ordem atribui um título de especialista, essa categoria tem de estar numa carreira”.

Ana Rita Cavaco afirmou que “a equipa do Ministério da Saúde está de pés e mãos atados”, porque “se os recursos forem os mesmos e a vontade das Finanças a mesma, não há proposta que consiga fazer chegar a um consenso”. E acrescentou que a anterior equipa, liderada por Adalberto Campos Fernandes teve uma proposta “que era boa para os enfermeiros, mas não foi aceite pelas Finanças”. A responsável adiantou ainda essa proposta que “tinha a categoria do enfermeiro especialista” e valorizava as competências acrescidas que a Ordem atribui aos enfermeiros.

Em reacção às declarações da bastonária dos enfermeiros, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, disse que não correspondiam a “uma análise factual”, salientando que o Governo apresentou uma proposta que “tenta ir ao encontro das aspirações sindicais”. Francisco Ramos afirmou que o ministério mantém a expectativa que se possa “aprofundar a negociação”.

Sobre a reprogramação das cirurgias canceladas, o responsável afirmou que estas “serão reprogramadas na primeira oportunidade, preferencialmente no SNS”. “Sabemos que os enfermeiros são uma profissão responsável, os seus dirigentes são responsáveis e farão todos os possíveis também para resolver a questão e minimizar as consequências para os portugueses”, acrescentou Francisco Ramos.