River Plate alvo de inquérito disciplinar

Confederação Sul-Americana de futebol investiga responsabilidades nos incidentes de sábado. Clube argentino tem 24 horas para apresentar argumentos de defesa.

Adeptos do River apedrejaram autocarro do rival Boca Juniors
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Adeptos do River apedrejaram autocarro do rival Boca Juniors Reuters/AGUSTIN MARCARIAN

A Confederação Sul-Americana de futebol (CONMEBOL) abriu um inquérito disciplinar ao River Plate, na sequência dos incidentes que antecederam a final da Libertadores e que levaram ao adiamento do jogo. Vários adeptos apedrejaram o autocarro que transportava a comitiva adversária, causando ferimentos ligeiros em membros da equipa do Boca Juniors. Este anúncio surge um dia depois de Daniel Angelici, presidente dos “xeineres” — como são conhecidos os adeptos do Boca —, ter apresentado um requerimento apontando as violações do River Plate ao regulamento, nos pontos que envolvem a segurança.

A entidade desportiva sul-americana explicou, em comunicado, que os “millonarios” — alcunha do River — têm um dia para redigir os argumentos de defesa: “A Confederação Sul-Americana de Futebol informa que abriu um processo disciplinar contra o Clube Atlético River Plate. O Clube foi notificado e tem um prazo de 24 horas a partir da notificação para formular os argumentos e apresentar as provas em sua defesa que julgue convenientes”.

Apesar destes novos acontecimentos na secretaria, a reunião entre os presidentes de ambos emblemas com o dirigente da CONMEBOL terá mesmo lugar esta terça-feira, no Paraguai. Segundo os órgãos de comunicação argentinos, o presidente do Boca Juniors já se encontra a caminho da sede da Confederação para uma reunião que terá início às 14h, hora portuguesa. Nesse encontro, irão ser discutidas as possibilidades para o jogo da segunda mão e, se a partida vier mesmo a acontecer, qual será a data mais apropriada para a realização do derby de Buenos Aires.

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Final da Libertadores voltou a ser adiada no passado domingo JUAN IGNACIO RONCORONI / LUSA

Uma das hipóteses equacionadas passa pela transferência da final para um campo neutro, argumento que o presidente do River, Rodolfo D’Onofrio, rejeitou prontamente: “Não tenho dúvida nenhuma de que o jogo será disputado com no Monumental e com adeptos”. As declarações do dirigente após o adiamento de sábado, parecem rejeitar a hipótese de o jogo ser disputado no recinto do River à porta fechada. O terceiro — e mais pesado — desfecho implica a desclassificação dos “millonarios” e consequente entrega do título ao Boca Juniors.

Em 2015, nos oitavos-de-final da Taça Libertadores, os jogadores do River foram alvo de um ataque com gás pimenta no La Bombonera. Após intercederem junto da CONMEBOL, o Boca Juniors foi desclassificado e os "millonarios" avançaram automaticamente para os quartos-de-final. Angelici relembrou, precisamente, esse episódio, como justificação da apresentação do requerimento à entidade desportiva: "Fizemos uma denúncia de 15 páginas com transcrições exactas de tudo o que se passou, com relatórios médicos e policiais. Tudo isto tem de ser analisado à luz dos regulamentos. Devemos isso aos nossos adeptos pelo passado recente".

“Os jogos são para ser vencidos dentro de campo”

Apesar da abertura do inquérito disciplinar ao River Plate, Alejandro Domínguez, presidente da CONMEBOL, decidiu publicar um longo texto onde se pronuncia sobre qual é a melhor decisão que pode ser tomada sobre o derradeiro encontro daquela que é maior competição de clubes da América do Sul: “Na CONMEBOL a que presido, o futebol não se vence com pedras nem agressões. Ganham os jogadores dentro de campo. Sobretudo na América do Sul, com a qualidade dos nossos futebolistas. Joga-se respeitando o rival, tendo o fair-play como objectivo no relvado, nas bancadas e nas direcções”.

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Jogo da primeira mão acabou empatado (2-2) DAVID FERNANDEZ / LUSA

De acordo com o diário Folha de São Paulo, a Confederação está a ser fortemente pressionada para resolver o conflito dentro do campo, evitando o desfecho de 2015. O jornal brasileiro ouviu um dirigente da CONMEBOL, sob anonimato. De acordo com o membro da entidade desportiva, o facto de este ser o último ano em que a final será disputada a duas mãos reforça a vontade de que o segundo encontro se realize no Monumental de Nuñez, recinto do River Plate.