Grupo de Trabalho apresenta proposta sobre os espólios arqueológicos

Documento é divulgado esta terça-feira em Lisboa, e ficará aberto à discussão pública até ao final de Abril de 2019.

Escavações arqueológicas junto à Sé de Lisboa
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Escavações arqueológicas junto à Sé de Lisboa Fábio Augusto

O Grupo de Trabalho para Espólios Arqueológicos (GTEA), composto por arqueólogos de diferentes quadrantes, apresenta esta terça-feira, em Lisboa, as Recomendações de Boas Práticas na Gestão de Espólios Arqueológicos: Recolha, selecção e descarte.

O documento reúne propostas sobre o destino a dar ao "colossal volume" de bens recolhidos em intervenções arqueológicas realizadas por todo o território nacional, resultado da forte expansão da actividade arqueológica dos últimos vinte anos, segundo os responsáveis.

A apresentação deste documento, que vai ser colocado à discussão pública, surgiu porque, "pela primeira vez na sua história, a actividade arqueológica se deparou com uma contingência de cariz logístico e também científico que em muito pode afectar a qualidade da sua prestação e a capacidade de preservar a memória para as gerações vindouras", segundo uma nota do grupo, enviada à agência Lusa.

Um dos arqueólogos deste grupo disse à Lusa que "o problema com os espólios se faz sentir sobretudo em Lisboa, o maior arqueossítio do país".

O documento vai dar pistas quanto aos critérios de selecção e descarte de espólio a desenvolver durante as fases de trabalho de campo, elaboração de relatórios e estudo, para os quais deverão defender critérios flexíveis, adaptados a cada realidade, e que deverão ser actualizados.

O grupo de trabalho foi constituído por arqueólogos da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) e da Câmara de Lisboa/Centro de Arqueologia de Lisboa (CML/CAL), aos quais se juntaram arqueólogos provenientes da academia e do meio empresarial.

Constituíram o grupo de trabalho Ana Sofia Gomes e Jacinta Bugalhão, da DGPC, António Marques e Rodrigo Banha da Silva, da CML/CAL, José António Bettencourt, da Universidade Nova de Lisboa, Miguel Lago, da empresa ERA Arqueologia, S.A., e Victor Filipe, como "arqueólogo independente".

Na actual fase de divulgação e discussão pública, juntou-se também a Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP), "ciente da relevância desta problemática", segundo se lê na mesma nota de imprensa.

Na mesa-redonda, esta terça-feira, às 15h00, no Padrão dos Descobrimentos, participa o arqueólogo Gerald Wait, antigo presidente do Chartered Institute for Archaeologists.

A partir da próxima quarta-feira e até ao final de Abril do próximo ano, todos os profissionais envolvidos, mas também o público interessado, poderão enviar os seus comentários, críticas e sugestões para o endereço electrónico [email protected] O documento ficará, entretanto, disponível nos sítios na Internet da DGPC e da CML/CAL.