César atira à esquerda: “Estão pouco preparados” e mostram uma “ansiedade pré-eleitoral”

O líder parlamentar socialista atirou à esquerda sem piedade. PSD e CDS também não foram poupados. Estão “sem cabeça” e andam “às pequenas, médias e grandes cabeçadas”.

Carlos César e António Costa nas Jornadas parlamentares em Portimão
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Carlos César e António Costa nas Jornadas parlamentares em Portimão luís forra/lusa

Os quatro partidos têm sido parceiros nos últimos três anos, e estão neste momento a sentar-se à mesa para negociar o que vai ser o Orçamento do Estado para 2019, mas isso não impede Carlos César de fazer de polícia-mau nesta altura da legislatura. O socialista, líder parlamentar e presidente do partido, atacou violentamente PCP e BE, sem nunca dizer o nome dos partidos ou sequer de falar deles como parceiros de Governo, dizendo que estes “estão pouco preparados” para serem governo numa altura “tão sensível” e que estão com uma espécie de “ansiedade pré-eleitoral”.

No sábado, no discurso de abertura das jornadas parlamentares do PS em Portimão, António Costa tinha feito um pedido aos partidos no geral no sentido de não transformarem um "bom orçamento" num "mau orçamento". Criticou os parceiros, mas apontou mais para PSD, suavizando até as palavras proferidas na véspera, no Porto, no balanço dos três anos de Governo, quando afastou o BE de um futuro Governo.

Este domingo, César terá sentido cobertura nesse discurso e, sem desagravar as críticas irónicas a PSD e CDS, foi de particular nota a agressividade para com os parceiros à esquerda. “É no futuro que pensamos quando recusamos ímpetos menos razoáveis da parte dos que tudo querem sem quererem entender que tudo não pode ser conseguido e podendo correr o risco de comprometer a maior parte do que conseguimos”, começou por dizer.

Leilão patológico

O mote para as críticas são as votações na especialidade do Orçamento do Estado que começam esta segunda-feira — e que estão a dar grandes dores de cabeça ao PS e ao Governo por causa das inúmeras propostas de alteração que podem mudar o documento em pontos que o executivo não quer. César falou deste momento como um “leilão em que a direita é euforicamente perdulária, num exercício quase patológico” e que mostra que “todo o cuidado é pouco” por parte do PS, que tem de olhar para os dois lados.

Este é, por isso, um momento preocupante “não só porque a direita perdeu a cabeça e anda para aí às pequenas, médias e grandes cabeçadas, mas também porque outros, que já acham que as propostas da direita são como as propostas da esquerda, parecem tomados por uma ansiedade pré-eleitoral de difícil compatibilização com sentido responsabilidade que os portugueses estimam”. O recado era directamente para Catarina Martins que no sábado afirmou que o partido iria votar favoravelmente todas as propostas do Orçamento que fossem “iguais” às do BE, independentemente do partido que as propõe.

"Os portugueses percebem", diz César

A tensão com os bloquistas tem sido evidente nos últimos meses e parece ser o BE o partido menos amado pelos socialistas nesta “geringonça” a quatro. Se António Costa foi mais claro ao afastá-los de um futuro governo, César fez questão de justificar porquê. Para o líder do PS, os bloquistas estão “pouco preparados”.

“Os portugueses percebem o que se passa: uns de tanto tergiversarem e se oporem a si próprios, observam o país como oposição ao governo”, leia-se partidos da direita. “Outros, de tanto negligenciarem o cumprimento das normas a que o país está obrigado, revelam-se pouco preparados para entender a governação num momento tão sensível da vida do país e da vida europeia”, disse.

Em resumo, “compete ao PS manter o diálogo, é certo, manter um diálogo particularmente à esquerda, mas compete-nos sobretudo manter o rumo”, frisou.

O certo é que se César diz que há uma “ansiedade pré-eleitoral” latente, também não deixa de notar que ele próprio já pensa nas próximas eleições, assumindo que é preciso o partido “manter o rumo” para que assim possa “pedir aos portugueses, com a consciência tranquila,? um PS mais forte que conduza o país por um caminho mais seguro”, lembrando aos eleitores socialistas que é preciso passar a mensagem de que “pode não ser possível” resolver já vários problemas, da saúde às infra-estruturas, mas que será o PS a conseguir resolvê-los.