PJ detém homem suspeito de atear 63 fogos

Do total de crimes imputados a um marceneiro de 40 anos, 58 são fogos florestais ocorridos entre Maio e Outubro deste ano, na localidade de Astromil, em Paredes.

Polícia judiciária foi alertada pela Protecção Civil.
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Polícia judiciária foi alertada pela Protecção Civil. daniel rocha

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou nesta sexta-feira a detenção de um homem de 40 anos, marceneiro, suspeito da prática de 63 incêndios, a esmagadora maioria fogos florestais ocorridos entre Maio e Outubro deste ano, na localidade de Astromil, em Paredes.

O homem está “fortemente indiciado”, contabiliza a PJ em comunicado, pela prática de 58 incêndios florestais, sendo igualmente suspeito em cinco investigações de fogos urbanos, tanto em habitações como numa viatura. 

Trata-se de um homem que sofrerá de perturbações mentais, que, interrogado pela Judiciária, reconheceu ter cometido os crimes num quadro de descontrolo provocado por uma depressão. O suspeito, que vive sozinho, no último mês terá pegado fogo ao carro de uma cunhada e tentado, por duas vezes, incendiar a casa de outra familiar, atirando material incandescente por uma janela que partira previamente. Também está indiciado por ter alegadamente cortado uma tubagem de gás na casa de um familiar, um incidente grave que acabou por não ter consequências relevantes. 

Foi esta sucessão de acontecimentos que obrigou a PJ a deter, ao final da tarde de quinta-feira, o suspeito, que será ouvido esta sexta-feira por um juiz de instrução criminal no Tribunal do Marco de Canavezes. Face ao perigo de continuação da actividade criminosa, o detido poderá ficar em prisão preventiva ou sujeito a uma medida de segurança de internamento. 

“Os fogos terão sido provocados com recurso a isqueiro, com intencionalidade de provocar incêndio florestal, em locais escondidos”, refere a Directoria do Norte da PJ na nota. A prova testemunhal foi determinante para a polícia avançar nesta investigação. 

O alerta à Judiciária foi dado pelo Comando Distrital de Operações de Socorro do Porto, da Protecção Civil, que deu conta àquela polícia do elevado índice de ignições florestais naquela localidade, que sistematicamente obrigaram ao empenhamento de inúmeros meios humanos e recursos das corporações de bombeiros.

“As ignições consumiram uma área total com cerca de 10 hectares, desenvolvendo-se os incêndios, em regra, muito próximo de habitações e só não assumindo outras proporções devida à pronta e eficiente intervenção dos bombeiros”, acrescenta a nota.