Ribeiro Mendes: "Vamos pôr ponto final às aventuras financeiras insensatas"

A corrida à liderança da Associação Mutualista já começou, com a distribuição dos votos por correspondência pelos associados. O dia das eleições é 7 de Dezembro. Conheça as principais ideias da Lista B.

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Na qualidade de candidato à liderança do grupo MG, como é que encara a futura relação da AMMG com o supervisor, a ASF, quando entrar em vigor o novo estatuto?

Será sem dúvida uma relação de grande exigência. A supervisão da ASF é um passo importante para a credibilização da mutualidade perante os seus associados e o público em geral. Deverá atender à natureza mutualista do Montepio que nos confere uma especificidade relativamente às seguradoras e fundos de pensões, rumo ao cumprimento dos critérios de solvência vigentes.

A aplicação imediata da avaliação fit and proper dos administradores do regime jurídico dos seguradores é da maior importância para que a nova administração possa iniciar funções sem sombra de suspeição quanto à adequação das suas competências e à idoneidade dos seus membros.

Garante que todos os membros da sua lista candidata aos órgãos sociais cumprem na íntegra os critérios de registo prévio de idoneidade que permitem  passar no crivo do supervisor?

Absolutamente!

Descontando o efeito do crédito fiscal de 808,6 milhões de euros, a AMMG teria fechado 2016 com capitais próprios negativos de 251 milhões de euros. E não teria apresentado, em 2017, lucros de 587,5 milhões de euros. O que sugere para sanear financeiramente o grupo mutualista?

Vamos garantir o primado da segurança na gestão dos fundos mutualistas que os associados confiam à instituição, promovendo aplicações prudentes e diversificadas das suas poupanças. Isto é, vamos pôr um ponto final às aventuras financeiras insensatas, definindo uma trajectória prudente de desconcentração dos activos do balanço da mutualidade, em articulação com as autoridades, tendo presente o novo enquadramento legal do Código das Associações Mutualistas e os princípios que o enformam.

O principal activo da AMMG é a CEMG, que gera uma imparidade no balanço de 498 milhões de euros. O que propõe para reduzir o risco e a dependência da AMMG do banco?

Proponho o reforço da articulação com a Caixa Económica do Montepio (CEMG), no respeito total pela autonomia de gestão do negócio bancário, tendo em conta as diversas entidades do universo CEMG compaginando-a com os valores mutualistas e sem prejuízo dos objectivos de rendibilidade indispensáveis à valorização da poupança dos associados.

Neste quadro, a abertura do capital da CEMG, seja directamente, seja através de algumas das suas participadas (Montepio Investimento, Montepio Crédito, designadamente) a outros accionistas da economia social portuguesa e europeia, será certamente uma via importante a explorar quanto antes.

Tendo em conta que a AMMG faz parte do subsistema complementar do sistema de segurança social, qual é o papel que a instituição, que se propõe liderar nos próximos três anos, deve desempenhar no contexto da economia social em Portugal?

Podemos e devemos ter a ambição de ser a principal solução de segurança social complementar para a grande maioria dos portugueses que a oferta privada tende a excluir. Em especial, os novos riscos sociais de conciliação trabalho-família, de dependência por doença crónica e deficiência, devem ter respostas ágeis e eficazes que ajudem as famílias do nosso universo a enfrentar tais eventualidades.

A AMMG tem estado a perder associados. Desde 2015 deixaram o grupo mais de 10 mil associados. Que medidas propõe para suster a saída dos mutualistas da AMMG?

No essencial, precisamos de reconstruir a relação de confiança entre o Associado e a sua Associação suportada numa gestão transparente e idónea e na modernização da nossa oferta de benefícios mutualistas. O sucesso do Plano de Saúde Montepio, cuja criação e implementação foi por mim conduzida em 2017, indica que o seu aprofundamento é uma das medidas mais urgentes, lançando as bases de um verdadeiro subsistema de saúde mutualista, que os nossos associados reclamam há muito. Residências seniores acessíveis e residências para estudantes em todas as cidades com grandes pólos de ensino superior, são outras medidas importantes para recuperar associados desiludidos e garantir novas adesões.

A entrevista foi feita por email e as respostas foram exactamente as mesmas para todos os candidatos. Conheça as ideias das outras listas A e C nos textos relacionados.