Mosteiro de Santa Clara vai ser hotel de luxo já em 2021

Grupo açoriano Slicedays ganhou concessão do mosteiro centenário de Vila do Conde. Unidade hoteleira terá 90 quartos e deverá criar 50 postos de trabalho

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Hotel deverá empregar 50 pessoas Paulo Ricca

Se tudo correr como o grupo hoteleiro Slicedays deseja, o Mosteiro de Santa Clara, em Vila do Conde, deverá abrir portas como “hotel de cinco estrelas premium” nos primeiros meses de 2021. A concessão do imóvel centenário foi entregue por um período de 50 anos aos açorianos, que estavam na corrida com o grupo Visabeira no seguimento de um concurso lançado pelo Governo através do programa Revive.

Desde 2010 que o mais imponente monumento classificado da cidade tem o estatuto de imóvel devoluto. Fundado por D. Afonso Sanches em 1318 para albergar um convento feminino, o mosteiro passou para as mãos do Estado em 1834, quando as ordens religiosas foram extintas, e passou a funcionar como “reformatório” de menores. Quando esse Centro Educativo de Menores em Risco do Instituto de Reinserção Social mudou de casa, em 2008, ainda por ali passou o Tribunal de Vila do Conde, encontrando abrigo temporário enquanto decorriam as obras na Casa da Justiça local. Mas a entrega do espaço ao turismo estava destinada desde que o programa Revive - que tem como objectivo a recuperação e a valorização de monumentos e edifícios nacionais sem utilização - abriu um concurso para exploração turística do mosteiro.

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Mosteiro fica em zona urbana, em local privilegiado Paulo Ricca

A concessão marca a entrada dos açorianos - proprietários de três unidades hoteleiras nos Açores e na Madeira - no Continente, onde têm já um outro investimento apalavrado. Junto ao rio, vai nascer um hotel de luxo com capacidade de cerca de 90 quartos, serviços de restauração, spa, salas para congressos e eventos, revelou ao PÚBLICO João Freitas da Silva, administrador do grupo Slicedays, criado em 2008.

As obras do hotel, que deverá criar 50 postos de trabalho e cujo valor do investimento o administrador preferiu não divulgar, devem começar no início do próximo ano e durar 24 meses. A empreitada inclui “trabalhos gerais no interior, com manutenção de algumas estruturas mas sempre preservando o estilo da época, e a manutenção total da fachada” com a traça original, como aliás era exigido pelo Revive.

O mosteiro sofreu em 2015 algumas obras de manutenção, promovidas pela própria Câmara Municipal de Vila do Conde, que esteve indisponível para prestar declarações, mas a sua utilização foi, mesmo depois disso, quase inexistente. Também pela sua localização privilegiada em meio urbano, a reabilitação do mosteiro foi sempre encarada como urgente. Para ali chegou a estar prevista a instalação de uma Pousada Nacional, gerida pelo grupo Pestana. Mas nunca tal foi avante. Na cidade, a importância do edifício foi sempre reconhecida pelos vila-condenses que, em 2012, inconformados com abandono do mosteiro com 700 anos de história, fizeram mesmo uma petição online, com 2700 subscritores. Pela sua "Santa-Clara-a-Abandonada".