Rio antecipa “derrota” do Governo no IVA da cultura

Presidente do PSD considera que a questão do IVA da tauromaquia levou a “choque forte” entre bancada do PS e Costa. Sobre as propostas de alteração ao OE2019, Rio deseja que apenas uma minoria seja para "conquistar simpatias eleitorais" e que a maioria tenha substância.

Foto
LUSA/PAULO NOVAIS

O diferendo entre o primeiro-ministro e a bancada parlamentar do PS na questão do IVA das touradas representou um “choque forte” entre socialistas, considera Rui Rio. No final da reunião do Conselho Estratégico Nacional do PSD, que decorreu em Coimbra, o presidente social-democrata admitiu que o debate sobre a tauromaquia ser ou não uma questão cultural faz sentido. No entanto, entende que “não faz sentido” existirem “umas discriminações que não se entende muito bem” - dando os concertos de sala ou a céu aberto como exemplo - uma vez que o “Governo prometeu baixar o IVA da cultura para 6%”.

Rio antecipa que o assunto seja corrigido em sede de especialidade e que “o Governo vai ter uma derrota” neste capítulo.

Ainda sobre a discordância entre António Costa e a sua bancada – que o primeiro-ministro já veio tentar sanar ao declarar-se “muito satisfeito” pela liberdade de voto dada aos deputados do PS – Rio acrescentou que, se “por acaso acontecesse no PSD, não sei quantos telejornais não abriria”.

Também no capítulo do Orçamento do Estado para 2019, sobre o qual os partidos apresentaram quase mil propostas de alteração, Rui Rio vê o número como sendo “normal porque são propostas para um orçamento em ano eleitoral”. Por outro lado, “também mostra alguma vitalidade” dos deputados. “Espero que as propostas apresentadas que visem apenas conquistar simpatias eleitorais sejam uma minoria e que a maioria das propostas seja substancial em relação àquilo que se possa considerar como visões diferentes”, sublinhou.

Rui Rio lamentou ainda a morte do general Loureiro dos Santos, “uma grande perda para o país” e “um dos primeiros a aparecer no espaço público” a ensinar sobre “essa componente da defesa nacional e militar, mas visto de um ângulo mais intelectual e mais teórico daquilo a que estamos habituados”.

O presidente do PSD aproveitou para apontar para as “funções de soberania” que, no seu entender, “foram perdendo força” ao longo dos últimos anos. “Perdem força porque são questões que não dão votos”, mas também porque “tendemos a investir naquelas matérias que tinham fundos comunitários”, que não é o caso. “Temos de voltar a puxar pelas questões de soberania”, acrescentou.

Rui Rio falou aos jornalistas rodeado por cinco mulheres que integram o CEN do PSD, no dia a seguir à publicação de uma sondagem nada animadora para o líder social-democrata. Rio, que depois de fazer a apologia de um “banho de ética” na política, teve que lidar com os casos de Elina Fraga, Salvador Malheiro, Feliciano Barreiras Duarte e, mais recentemente, José Silvano, vê o PSD afastar-se do PS, a menos de um ano das legislativas. O barómetro da Eurosondagem para o Expresso e para a SIC mostra um recuo do PSD para 26,8%, com o PS a crescer para 41,8%.