João Lourenço sobre o cerco à corrupção: "As figuras que delapidaram o erário público são conhecidas"

O Presidente angolano revela ainda que a Sonangol se irá retirar de uma “grande parte dos negócios e participações onde está envolvida”, o que pode implicar uma saída da portuguesa Galp.

João Lourenço
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João Lourenço LUSA/FELIPE TRUEBA

João Lourenço visita Portugal na próxima semana. Numa antevisão da visita oficial, o Presidente angolano concedeu uma entrevista ao semanário Expresso, publicada na edição deste sábado. Nela faz um resumo dos seus primeiros 13 meses na presidência, reafirma o seu compromisso na luta contra a corrupção e revela que a Sonangol se irá retirar de uma “grande parte dos negócios e participações onde está envolvida” – o que pode implicar uma saída da portuguesa Galp.

Desde que assumiu a presidência, João Lourenço fez do combate à corrupção uma das suas prioridades. Sobre a exoneração de Isabel dos Santos, afastada do Conselho de Administração da Sonangol, o actual chefe de Estado afirma que não exonerou ninguém por ser filho do anterior Presidente. “Entendi que a Sonangol merecia outro conselho de Administração e assim o fiz, e não estou arrependido de o ter feito.” Agora, “a Sonangol está melhor do que estava”.

João Lourenço diz ainda que encontrou os cofres do Estado já vazios e sob “a tentativa de esvaziarem ainda mais”, o que o levou accionar uma operação em larga escala para confiscar bens dentro e fora do país de quem se opõe ao repatriamento voluntário de capitais ilicitamente saídos de Angola. José Eduardo dos Santos, diz o actual Presidente, daria uma grande ajuda se divulgasse publicamente o nome das pessoas a quem concedeu benesses: “Acho que prestaria um grande serviço à Nação. Eu encorajá-lo-ia a fazer isso mas, mesmo que não denuncie quem beneficiou do banquete, as figuras que de forma vergonhosa delapidaram o erário público são conhecidas”.

Ainda sobre o tema da corrupção, e no caso específico de Manuel Vicente, o Presidente angolano diz que não defendeu um cidadão, mas que agiu “em defesa do Estado angolano e da necessidade de um outro Estado respeitar acordos firmados anteriormente”. “Não estou a ver que o vice-presidente da República de um país estivesse a contas com a Justiça de um outro país e que as autoridades do seu país não reagissem”, justifica.

Um convite a investidores e técnicos portugueses

Sobre a visita a Portugal, e no rescaldo de uma viagem a António Costa a Angola, João Lourenço diz que vai dar “continuidade a uma relação de cooperação existente que data praticamente dos primeiros dias da independência”.

“Vamos procurar cativar os investidores privados portugueses em todas as áreas onde for possível. Ali onde os investidores portugueses entenderem que podem ganhar dinheiro e deixar bens e serviços, nós agradecemos”. Mas o convite não se fica pelos investidores: o presidente angolano abre também a possibilidade de “muitos técnicos portugueses virem trabalhar para Angola na área da Educação e também da Saúde”.