“Carga emocional elevada” levou economista a atacar escritórios de advogados no Porto

Caso remonta a 2016. Acções de retaliação terão ocorrido após o economista recusar assinar um acordo indemnizatório.

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Fernando Veludo/Arquivo

Um economista acusado de sequestros e de incendiar uma secretária num escritório de advogados do Porto, dias após atirar um carro em chamas contra o portão de escritório similar, alegou esta quinta-feira em tribunal que agiu sob “carga emocional elevada”.

“O caminho que segui não foi o mais racional. Mas foi fruto de uma carga emocional elevada”, disse o arguido, de nacionalidade espanhola, que se encontra em prisão preventiva, e que começou a ser julgado no Tribunal Criminal de São João Novo, no Porto, por crimes de difamação, ameaça, injúria, coacção, dano, roubo, introdução em lugar vedado ao público e incêndio.

Os casos registaram-se no período compreendido entre Fevereiro de 2016 e fins do mesmo ano contra escritórios de advogados envolvidos num processo que o homem intentou em tribunal do trabalho contra uma empresa de construção civil por alegado despedimento ilegal. Trata-se dos escritórios de Alberto Pitta de Meireles e de Nuno Cerejeira Namora, Pedro Marinho Falcão & Associados.

As acções de retaliação terão ocorrido após o economista recusar assinar um acordo indemnizatório, por discordar do montante fixado, e recusar o pagamento dos honorários ao escritório de advogados que o tinha representado naquele processo, o que tinha tido como consequência uma acção de penhora da sua casa e uma acusação por difamação movidas pelos advogados credores.

Num depoimento longo, algo confuso e durante o qual foi alvo de frequentes admoestações do juiz-presidente, o arguido foi, porém, peremptório a negar a acusação do Ministério Público de que usou uma arma numa das suas investidas a um dos escritórios de advogados.

O julgamento prossegue esta quinta-feira à tarde.