Co-líder da AfD suspeita de receber financiamento ilegal

Alice Weidel reconheceu “erros” e diz que devolveu as doações. Estas teriam totalizado 130 mil euros. Mas seis mil euros ficaram por devolver.

ALice Weidel recusa demitir-se e culpa o tesoureiro. Este recusa a responsabilidade
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ALice Weidel recusa demitir-se e culpa o tesoureiro. Este recusa a responsabilidade FOCKE STRANGMANN/EPA

A co-líder do partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) Alice Weidel recebeu doações potencialmente ilegais de uma farmacêutica suíça durante a campanha eleitoral para as legislativas de Setembro do ano passado.

O outro co-líder, Alexander Gauland, saiu em defesa de Weidel, culpando o tesoureiro. Weidel reconheceu “erros” mas disse que apenas soube da existência das doações em Setembro, o mês das eleições, e que devolveu o dinheiro por ter dúvidas em relação à sua legalidade – por isso recusou “consequências pessoais”, ou seja, demitir-se.

O gabinete de Weidel recebeu de uma farmacêutica suíça um total de 130 mil euros em várias tranches mais pequenas (a maioria de nove mil francos suíços, ou seja, 7900 euros) entre Julho e Setembro de 2017, segundo os jornais Süddeutsche Zeitung e as televisões NDR e WDR. A devolução foi feita apenas em Abril de 2018, e não foi total: seis mil euros não foram devolvidos.

"Se tivesse suspeitado que a avaliação do tesoureiro do estado estava errada, teria naturalmente feito alguma coisa", disse Weidel. 

Segundo a lei alemã, diz a emissora Deutsche Welle, um partido que receba mais de 50 mil euros de um dador tem de informar o Parlamento. A divisão em tranches parece ter sido feita para evitar esta regra. Mais, as regras permitem aos partidos alemães receber verbas de países fora da União Europeia apenas se vierem de cidadãos alemães.

O tesoureiro do partido no estado federado de Baden Württemberg acusado por Weidel de ter avaliado mal a situação já veio defender-se. Frank Kral diz que foi levado a crer que as doações vinham de um alemão e por isso seriam permitidas.

Esta não é a única doação potencialmente ilegal à AfD. Uma fundação que terá sede na Bélgica está também a ser avaliada, diz a revista Der Spiegel.

A administração do Parlamento já enviou um pedido de esclarecimento ao partido com carácter de urgência. 

A AfD, que foi pela primeira vez eleita para o Parlamento federal nas eleições do ano passado, pode ter de pagar multas significativas por não ter recusado a doação e por não a ter devolvido com rapidez, dizem especialistas legais citados pela Deutsche Welle.