Autoeuropa já está a usar portos espanhóis para exportar carros

Paralisação no Porto de Setúbal não permite exportação de cerca de 8000 carros produzidos em Palmela.

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Já estão cerca de 8000 veículos produzidos na Autoeuropa À espera de serem exportados ANDRÉ AREIAS/LUSA

A Autoeuropa começou esta quinta-feira a recorrer aos portos de Vigo e de Santander, em Espanha, bem como ao de Leixões, para escoar parte da produção que não consegue expedir para o estrangeiro por causa da paralisação do Porto de Setúbal.

De acordo com fonte oficial da fábrica da Volkswagen (VW) em Palmela, o recurso a outros portos envolve o envio de “umas centenas de viaturas”, sem precisar o número e a divisão por destino final.

Neste momento, o stock acumulado de viaturas paradas, à espera de serem exportadas, ronda oito mil, e todos os dias a fábrica está a produzir mais 885 veículos (com destaque para o novo modelo, o T-Roc).

Com o recurso aos portos espanhóis e a Leixões, a fábrica consegue diminuir o ritmo de crescimento deste stock, mas a estratégia “não é sustentável”, refere a mesma fonte. Com uma despesa acrescida, e atrasos na expedição (a venda é feita contra-encomenda), os veículos são transportados com recurso a camiões em lotes de dez ou oito unidades.

Assim, é previsível que a Autoeuropa, que acaba de sair de um processo marcado por alguma instabilidade laboral devido à introdução dos turnos aos sábados e domingos, veja a normalização do Porto de Setúbal como “a solução” para o problema.

A paragem do porto, sem que tenha sido decretada uma greve ao trabalho em horário normal, tem por base um diferendo laboral desencadeado por um grupo de estivadores precários e a empresa de trabalho portuário Operestiv, envolvendo também o Sindicato Nacional dos Estivadores Trabalhadores do Tráfego, Conferentes Marítimos e Outros (SEAL).

Conforme já noticiou o PÚBLICO, esta quinta-feira de manhã o porto de Setúbal continuava parado, com cerca de quatro dezenas de trabalhadores a fazerem plantão junto das instalações mas continuando a recusar-se cumprir as escalas de trabalho. O Ministério do Mar, a administração do porto de Setúbal e Sines e os operadores portuários estão a tentar encontrar uma solução para este bloqueio, que está a prejudicar as exportações portuguesas. A mobilização de trabalhadores eventuais do Porto de Aveiro é uma das hipóteses equacionadas.

Ao PÚBLICO, o presidente do Conselho Português de Carregadores (CPC), Pedro Galvão, disse que o organismo acompanha a situação com preocupação no curto prazo, mas também pelos impactos futuros. “As empresas estão a transferir a carga para ser embarcada noutros portos que estão a funcionar normalmente, quer em Portugal quer em Espanha. Tal significa custos adicionais e menor competitividade, e isso são más notícias para a indústria exportadora e os seus trabalhadores no curto prazo”, disse este responsável.