Quem é a primeira mulher a comandar a Premier League?

Susanna Dinnage será, a partir de 2019, directora executiva da Liga inglesa. Empresária londrina conta com longa carreira ligada à televisão.

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Susanna Dinnage DR

O mundo do desporto foi surpreendido esta semana com a notícia da nomeação de Susanna Dinnage para ser a primeira directora executiva da Liga inglesa (Premier League), cargo que, até agora, sempre foi desempenhado por homens. A londrina, de 51 anos, já comandou a cadeia televisiva Discovery e vai suceder a Richard Scudamore, que dirigiu o campeonato mais lucrativo do mundo nos últimos 19 anos.

“A Premier League representa tanto para tanta gente. É um pináculo do desporto profissional e a oportunidade de liderar uma organização tão dinâmica e inspiradora é, para mim, um enorme privilégio”, reiterou Susanna Dinnage, após ter sido empossada na presidência da Premier League. Mas como é que a londrina conseguiu saltar do pequeno ecrã para um universo dominado pelo sexo masculino?

A carreira da empresária esteve sempre ligada à televisão. Há mais de duas décadas, Dinnage esteve envolvida na criação de programas para a MTV, rede de canais de música. No final da década de 90, a nova directora executiva da Premier League mudou-se para o Channel Five, ajudando no lançamento do canal inglês, em 1997. A grande oportunidade surgiu em 2009, quando lhe foi proposto um cargo na Discovery, rede norte-americana que cobre mais de 220 países. Na gigante televisiva, a britânica desempenhou vários cargos de liderança tornando-se, inclusive, a primeira presidente à escala global da Animal Planet, canal dedicado ao mundo animal pertencente à Discovery.

A dura batalha com a Sky

O longo — e bem-sucedido — currículo de Susanna Dinnage mostra que não lhe falta conhecimento no que diz respeito aos contratos televisivos numa Liga que, na época 2016-17, registou receitas a rondar os cinco mil milhões de euros.

A empresária também já teve a sua quota-parte de controvérsias devido a negócios televisivos. Um deles foi, justamente, com a parceira de transmissão da Premier League: a Sky TV. “Estão a usar a sua posição dominante no mercado para salvaguardar os seus interesses pessoais em detrimento dos interesses dos telespectadores”, acusou, publicamente, Susanna Dinnage, após uma disputa que envolveu a Sky e a Discovery — organização que a britânica então representava.

Em Janeiro de 2017, a Discovery removeu temporariamente todos os canais da plataforma Sky, depois de relatos que apontavam para a falta de interesse da última em renovar a ligação com a organização de Susanna Dinnage. A Sky garantia que a Discovery não providenciava audiências suficientes mas, outras fontes, afirmavam que a decisão serviria como uma maneira de poupar fundos para uma proposta de 4 mil milhões de euros aos direitos da Premier League.

A “máquina” de fazer dinheiro que é a Liga inglesa

No cargo que assumirá a partir do próximo ano, Dinnage terá de fazer as pazes com os antigos inimigos, um facto que é facilmente perceptível pela importância que os contratos televisivos têm na lucrativa competição. O antecessor da londrina, Richard Scudamore, impulsionou exponencialmente as receitas da Premier League.

Quando o antigo presidente se juntou à Liga inglesa, em 1999, os direitos televisivos da competição estavam avaliados em 770 milhões de euros. Nas mais recentes negociações, os valores ultrapassaram os cinco mil milhões de euros, num acordo que engloba três temporadas (2019-2022).

A elevada fasquia não preocupa Bruce Buck, director do Comité de nomeações da Premier League e principal responsável pela nomeação de Dinnage: “É uma figura na indústria televisiva que demonstrou as suas capacidades de negócio. Ela é perfeita para o cargo e estamos confiantes que levará a Premier League a novos patamares”.

Entre o impacto do Brexit, a conversas de criação de uma Superliga Europeia, desafios não faltarão à nova directora executiva da Liga inglesa que terá oportunidade de, mais uma vez, voltar a mostrar as suas capacidades empresariais.