Ministro da Defesa de Israel demite-se e acusa Netanyahu de se “render ao terror do Hamas”

Saída de Avigdor Lieberman põe em causa a continuidade do Governo liderado por Benjamin Netanyahu.

O partido de Avigdor Lieberman tem cinco lugares no Parlamento
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O partido de Avigdor Lieberman tem cinco lugares no Parlamento Reuters/AMMAR AWAD

O ministro da Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, apresentou esta quarta-feira a sua demissão, na sequência da polémica sobre um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse esta quarta-feira que o acordo foi alcançado, porque o Hamas “implorou”, mas até agora não havia certezas sobre as negociações mediadas pelo Egipto. Na terça-feira, um responsável não identificado citado pela imprensa israelita disse apenas que as acções de Israel seriam determinadas pelos “passos dados no terreno”

A decisão de aceitar um cessar-fogo está a ser muito criticada pelos habitantes do Sul de Israel e pelos sectores mais conservadores, que a consideram uma forma de capitulação.

Depois da declaração de Netanyahu, esta quarta-feira, o ministro da Defesa decidiu demitir-se por considerar que o primeiro-ministro deu a entender que o cessar-fogo tinha o seu aval. Na sua comunicação, disse que o primeiro-ministro “se rendeu ao terror do Hamas”.

“Ele está a escolher entre o fim da sua carreira, se ficar no cargo, e uma ligeira hipótese de reabilitar a sua imagem pública, se se demitir”, disse um ministro do Governo israelita, sob anonimato, ao Channel 10, citado pelo jornal Times of Israel.

Dirigindo-se aos críticos do cessar-fogo, Netanyahu recordou David Ben-Gurion, o fundador do Estado de Israel e primeiro chefe de governo do país: “Em tempos difíceis, Ben-Gurion tomou decisões difíceis. Por vezes contra a opinião popular, mas como passar do tempo essas decisões revelaram-se correctas.”

Com a demissão de Avigdor Lieberman e a saída do seu partido, Yisrael Beiteinu, da coligação, o Governo de Netanyahu será apoiado por uma maioria de apenas um lugar. Não se sabe ainda se vão ser convocadas eleições antecipadas – para já, Benjamin Netanyahu disse apenas que vai assumir a pasta da Defesa.

Tudo começou com uma operação das forças israelitas contra a Faixa de Gaza, interceptada pelo Hamas, no domingo. No caos que se seguiu morreram sete combatentes do grupo palestiniano, incluindo um comandante, e um coronel israelita.

Depois veio a maior troca de fogo desde a guerra de 2014. Segundo Israel, mais de 400 rockets foram disparados de Gaza desde segunda-feira à tarde (nunca tantos terão sido lançados em tão pouco tempo) e os aviões israelitas realizaram mais de 100 bombardeamentos.

Em Israel morreu uma pessoa de 40 anos – um palestiniano da Cisjordânia que trabalhava na cidade israelita de Ashkelon – e o Governo contabiliza 108 feridos. A cada vaga de ataques, a Força Aérea respondeu com intensos bombardeamentos, que atingiram centenas de posições do Hamas e alguns edifícios residenciais. De acordo com médicos em Gaza, cinco pessoas morreram, incluindo dois combatentes.