Novo crédito à habitação sobe 22,5% entre Janeiro e Setembro

Valor dos novos empréstimos à habitação atingiu 7,29 mil milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, mais 1,34 mil milhões que no mesmo período de 2017.

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Rui Gaudencio

Os bancos concederam novos créditos ao consumo no valor de 353 milhões de euros em Setembro, com o total desde Janeiro a ascender aos 3,485 mil milhões de euros, mais 16% do que em 2017, segundo dados divulgados esta terça-feira.

De acordo com dados disponíveis na página do Banco de Portugal (BdP), em Setembro os bancos concederam empréstimos ao consumo no valor de 353 milhões de euros, menos do que o valor apurado em Agosto (404 milhões de euros), mas mais do que em Setembro de 2017 (348 milhões de euros), apesar dos sucessivos alertas da instituição.

Em termos acumulados, o montante de novos créditos ao consumo concedidos às famílias disparou 16% em termos homólogos (dos 3,016 mil milhões de euros observados em 2017) para 3485 mil milhões de euros este ano.

Também esta terça-feira o BdP divulgou que foram concedidos 790 milhões de euros pelos bancos às famílias para empréstimos à habitação em Setembro, menos do que os 810 milhões de euros de Agosto – mês em que já tinham recuado em termos mensais –, mas mais do que os 739 milhões de euros concedidos em Setembro de 2017.

Desde o início do ano foram já emprestados 7293 mil milhões de euros de novos créditos à habitação, valor comparável com os 5951 mil milhões de euros concedidos no ano passado entre Janeiro e Setembro. São mais 22,5%, ou 1342 milhões de euros, do que no mesmo período de 2017.

Após vários alertas sobre o risco do sobreendividamento das famílias, o BdP lançou em Julho novas regras que criam restrições à concessão de novos créditos à habitação e ao consumo, estabelecendo que as famílias apenas podem gastar metade do seu rendimento com empréstimos bancários.

Em 25 de Setembro também o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, advertiu que os bancos devem ter cautela na concessão de crédito, especialmente ao consumo, para não pôr em causa o trabalho feito em tornar as instituições mais sólidas, e pediu “vigilância”.

As novas regras foram anunciadas em 1 de Fevereiro, tendo o supervisor e regulador bancário justificado que o objectivo é os bancos não assumirem riscos excessivos nos novos créditos e que os clientes tenham capacidade de pagar as dívidas.

Estas limitações surgiram depois de o Banco de Portugal ter admitido no início de Junho, no Relatório de Estabilidade Financeira, que há “alguns sinais” de sobrevalorização dos preços do imobiliário, embora limitados.

Para já, estas regras são apenas uma recomendação – ainda que os bancos que não as cumpram tenham de se explicar –, mas em Maio o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, avisou no Parlamento que, se os bancos não as respeitarem, poderão passar de recomendações a ordens vinculativas.

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