Romance vencedor do Prémio Revelação Agustina-Bessa Luís é apresentado em Lisboa

Rui Lage faz lançamento de O Invisível, esta terça-feira, na Casa Fernando Pessoa. Pessoa que, de resto, é a personagem central de "uma trama de ficção muito original", disse o júri.

Rui Lage
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Rui Lage DR

O romance O Invisível, de Rui Lage, vencedor por unanimidade do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís/Estoril Sol/2017, é apresentado esta terça-feira, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.

O Invisível, que propõe uma abordagem ficcional do lado mais oculto de Fernando Pessoa, é apresentado pela professora catedrática da Universidade de Lisboa Maria Alzira Seixo, que fez parte do júri que lhe atribuiu o prémio em Dezembro do ano passado.

Trata-se do primeiro romance de Rui Lage, e arrebatou o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís, no valor pecuniário de 10.000 euros, sendo publicado pela Gradiva.

Segundo o júri, que foi presidido por Guilherme d'Oliveira Martins, O Invisível é "um romance com notável fulgor imaginativo" no qual "a figura histórica de Fernando Pessoa é tornada personagem de romance e colocada no centro de uma trama de ficção muito original, que cruza criativamente referentes conhecidos da época e cultura pessoanas, particularmente a sua vertente ocultista e/ou esotérica".

"Neste romance convergem vários géneros: desde logo o fantástico e o romance histórico, quer Portugal quer África do Sul são reconstituídos, na sua inserção 'epocal', com o máximo rigor que me foi possível; mas também o rocambolesco e o satírico, além de elementos do romance policial – a personagem de Pessoa deve aqui alguma coisa à tradição norte-americana dos 'occult detectives', com ascendentes em [Edgar Allan] Poe e Conan Doyle", disse o autor à agência Lusa.

"Interessava-me colocar Pessoa em situações incómodas, desconcertantes, fora do seu ambiente lisboeta (já tão explorado noutras ficções), para agudizar contrastes e convocar um mundo arcaico, telúrico, atormentado por influências e presenças invisíveis. Eis porque, com certa dose de perversidade, transportei Pessoa para uma aldeia fictícia, na serra do Alvão, pondo-o a interagir com uma comunidade ensimesmada, radicalmente extemporânea", rematou.

Rui Carlos Morais Lage é licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde se doutorou em Literaturas e Culturas Românicas, na especialidade de Literatura Portuguesa.

O distinguido é autor de poesia, com sete livros publicados, entre os quais Estrada Nacional, que foi lhe valeu o Prémio Literário da Fundação Inês de Castro, em 2016, tendo também publicado na área de ensaio, nomeadamente um título sobre Manuel António Pina.

Na ficção infanto-juvenil, Rui Lage é autor da antologia Poemas Portugueses: Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI.