Governo quer concluir descontaminação dos terrenos industriais da Margem Sul até 2022

Trabalhos de remoção de solos contaminados na Siderurgia Nacional, no Seixal, e na antiga CUF, no Barreiro devem aproveitar actual Quadro Comunitário de Apoio

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NFS - Nuno Ferreira Santos
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Os trabalhos, em curso, de descontaminação dos territórios industriais do Seixal e do Barreiro devem estar concluídos até 2022, para que o investimento, que já vai em 31,5 milhões de euros, possa aproveitar plenamente o financiamento do actual Quadro Comunitário de Apoio (QCA).

O limite temporal foi defendido esta segunda-feira pelo secretário de Estado do Ambiente, durante uma visita aos territórios onde estão a decorrer as operações de remoção de solos contaminados.

“Esperamos que os 15 milhões que ainda estão disponíveis no POSEUR (Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos) possam vir a ser aplicados nas obras que os estudos que a Baía do Tejo está agora a realizar venham a apontar e que esse tratamento mais especial e prolongado possa ser resolvido até Dezembro de 2022”, disse Carlos Martins.

Nessa altura, acrescentou o governante, ficará concluído um “projecto ambicioso” de restituição da “qualidade ambiental” aos antigos territórios industriais da Margem Sul. Carlos Martins destacou que “só neste período, com este Governo, já estão investidos 500 milhões de euros, através de fundos comunitários, num conjunto de obras” como as que estão em curso no Seixal e Barreiro.

O governante visitou primeiro os terrenos da zona norte da Siderurgia Nacional, onde estão a ser removidas 21 mil toneladas de lamas da aciaria e 30 mil toneladas de pós de goela. A empreitada, no valor de 8,7 milhões de euros, começou em Agosto e deverá estar concluída em Março do próximo ano. Neste primeiros dois meses foram já removidas seis mil toneladas de lamas da aciaria, entretanto carregadas e depositadas no Centro Integrado de Recuperação Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos, da SISAV, propriedade da Egeo.

No Barreiro, a segunda fase da remoção de solos contaminados está a terminar, tendo sido retiradas 33 mil toneladas de resíduos, numa intervenção de 5,8 milhões. Estas duas operações, realizadas com o apoio do actual QCA, totalizam 14,5 milhões de euros e acrescem aos 17 milhões que já tinham sido investidos na eliminação de passivos ambientais, nestes territórios a sul do Tejo, na vigência do anterior quadro comunitário.

Barreiro com 99% dos esgotos tratados

O parque empresarial da Baía do Tejo, que ocupa o território onde em 1908 a antiga Companhia União Fabril (CUF), de Alfredo da Silva, iniciou a construção de um dos maiores complexos industriais europeus do século XX, está prestes, 100 anos depois, a ter os seus esgotos ligados a uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

A empresa pública concluiu agora a construção dos equipamentos necessários à ligação das 200 empresas do parque industrial, e de uma parte da zona urbana da cidade, à ETAR da Simarsul que faz o tratamento dos efluentes naquela zona do Tejo.

A obra, que o secretário de Estado visitou, é constituída por uma estação elevatória e três descarregadores de tempestade com válvulas de maré, para evitar o refluxo, e perto de um quilómetro de tubagens de compressão.

Este conjunto de infra-estruturas, que aguarda apenas aprovação da ligação ao sistema da Simarsul para entrar em serviço, vai permitir ao Barreiro atingir 99% de cobertura de saneamento tratado, disse o presidente da Câmara Municipal do Barreiro ao PÚBLICO.

“Esta obra vai permitir-nos atingir uma cobertura superior a 99% na malha urbana. Ficam a faltar situações muito pontuais, alguns bairros, nomeadamente o Lavradio, Fidalguinhos e uma zona na Recosta, que serão corrigidas em projectos que a autarquia pretendem financiar com fundos comunitários”, afirma Frederico Rosa.

Jacinto Guilherme Pereira, presidente da Baía do Tejo, acrescenta que com este investimento, integralmente financiado por capitais próprios da empresa, “todas as mais de 200 empresas do parque ficam ligadas” ao sistema de tratamento de esgotos, numa solução “essencial” de um problema “muito antigo” naquele território.