Palcos da semana

No cardápio há histórias de Pirandello, dança em revolução, uma lebre a bailar rock, uma cidade cheia de artes e o arquitecto do CCB em retrospectiva.

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Paulo Pimenta

Música
Com o Diabo na lebre

Desde que deram a ordem Virou! – nome do disco de estreia – que os Diabo na Cruz andam a entrar com garage-rock por um baile popular adentro. A audácia de cruzar a electricidade das guitarras com a tradição portuguesa tem resultado em cheio e continua a ser, nove anos e quatro álbuns depois, a missão da banda de Jorge Cruz. O mais recente acaba de sair, depois de uma recauchutagem criativa e de um par de anos de ausência dos palcos. Chama-se Lebre e está pronto a disparar em passo de corrida em direcção aos coliseus.

LISBOA Coliseu dos Recreios
Dia 15 de Novembro, às 21h30.
Bilhetes a 15€

PORTO Coliseu do Porto
Dia 22 de Novembro, às 22h.
Bilhetes de 15€ a 17,50€

 

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Pedro Figueiredo

Dança
Revoluções de Barros

A celebração dos 50 anos do Maio de 1968 motivou a reflexão da bailarina e coreógrafa Né Barros. A questão "O que é uma revolução e quais as revoluções pelas quais estamos à espera?" foi o ponto de partida para o seu novo projecto. Combinando dança, imagem, instalação e música – neste campo, com o contributo dos colectivos Häarvol e Digitópia –, configura-se como um espectáculo em camadas que oferece cenários possíveis e ensaia possibilidades. Explica a criadora que "o trabalho evolui de uma utopia (corpos movem-se em direcção ao lugar onde tudo é possível, o palco) ao trauma (o retorno ao corpo através da nudez), que caracteriza muitas vezes o pré e o pós-revolução". Depois da estreia no Porto, Revoluções entra em itinerância, com paragens confirmadas em Ílhavo (Centro Cultural, 23 de Novembro) e Coimbra (Convento de São Francisco, 18 de Abril).

PORTO Teatro Rivoli
Dias 16 e 17 de Novembro, respectivamente às 21h e 19h (conversa pós-espectáculo no dia 16).
Bilhetes a 7,50€

 

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Grand Théâtre de Provence DR

Arquitectura
No território de Gregotti

Vittorio Gregotti (n.1927, Novara) assinou obras como o Grand Théâtre de Provence, o Teatro degli Arcimboldi em Milão, o Estádio Olímpico de Barcelona ou o Centro Cultural de Belém. É aqui que se instala uma retrospectiva do trabalho do arquitecto italiano e do seu gabinete. N'O Território da Arquitectura. Gregotti e Associati 1953-2017 – título que reclama o do ensaio que publicou em 1966 – podem ser ser vistas plantas, maquetas, reproduções e fotografias de projectos feitos ao longo de mais de 60 anos, a começar pelo presente e a terminar no início. A exposição tem curadoria de Guido Morpurgo e é produzida pelo Padiglione d’Arte Contemporanea Milano.

LISBOA Centro Cultural de Belém (Garagem Sul)
De 13 de Novembro a 27 de Janeiro. Terça a domingo, das 10h às 18h.
Bilhetes a 6€

 

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Simão Do Vale Africano

Teatro
Pirandello no menu

Depois de Gertrude, a partir de Hamlet de Shakespeare (2013), e d'As Criadas de Genet (2016), o encenador Simão Do Vale Africano lança-se a mais um monstro do teatro: Luigi Pirandello. Reúne (e traduz) três peças em um acto do autor italiano – O homem da flor na boca, Sonho (ou talvez não) e Cecè – e serve-as na forma de "três 'refeições' breves, frugais, nutritivas, mediterrânicas". Este "menu de degustação", a que deu o nome de Trattoria Pirandello, é interpretado por Joana Africano, Jorge Mota e o próprio encenador.

PORTO Teatro Carlos Alberto
De 15 a 25 de Novembro. Quinta e sexta, às 21h; quarta e sábado, às 19h; domingo, às 16h (conversa pós-espectáculo no dia 16).
Bilhetes a 10€

 

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10 000 Russos Betânia Liberato

Festival
Artes a Binnar

Música, vídeo, fotografia, instalação, performance, cinema… São muitas as artes a confluir para Famalicão para alimentar mais um Binnar. A terceira edição do festival exibe uma mostra de curtas-metragens do colectivo Creatura na Casa das Artes, seguida do filme Mekong Hotel, de Apichatpong Weerasethakul. No Parque da Devesa, recebe Whisperings, performance sonora e visual de Frederico Dinis. O Convento de Arnoso é ocupado por uma Mara:Tone de trabalhos em vídeo e pelos feedbacks sem moderação dos 10 000 Russos. Musicalmente falando, o Binnar acolhe ainda a indie-folk de Alex Hedley n'A Casa Ao Lado, os sons kraut-minimais dos Hyggelig na Fundação Castro Alves e o projecto imersivo Gãrgoola no Cru - Espaço Cultural. No Museu da Indústria Têxtil, o compositor Eduardo Patriarca estreia uma obra baseada em sons do interior da fábrica. O local é também alvo de intervenções artísticas sobre a memória têxtil do Vale do Ave e cenário da projecção de mais uma série de vídeos seleccionados pelo festival. Nem a feira local escapa: é tomada pela intervenção clown (Des)Alinhar. Isto enquanto a Galeria Soledade Malvar recebe a colectiva de fotografia Bluzhdat, e decorrem oficinas diversas pela cidade. 

FAMALICÃO Vários locais
De 12 a 30 de Novembro.
Grátis