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“Sem apetite para a extinção”: anúncio sobre óleo de palma banido da televisão inglesa

Até que “todo o óleo de palma cause zero destruição florestal”, o supermercado Iceland recusa-se a usá-lo em todos os produtos da marca espalhada por mais de 900 lojas do Reino Unido. Em Abril último, a cadeia prometeu começar a banir o óleo produzido a partir do fruto da palmeira porque um só ingrediente “está a causar o colapso das populações de orangotangos do Sudeste Asiático”. Encontra-se em todo o lado: dos chocolates ao champô, denuncia uma orangotango bebé no vídeo que a marca queria usar como publicidade de Natal — mas que não pôde passar na televisão por ser “demasiado político”.

Segundo o site oficial da Iceland, o anúncio não vai ser transmitido por não respeitar as “leis da publicidade” relacionadas com “propaganda política”. As entidades de regulação inglesa dizem ser "demasiado direccionado para um fim político".

A animação foi originalmente feita pela Greenpeace e mostra uma bebé orangotango a “invadir” o quarto de uma menina. “Há um orangotango no meu quarto e eu não sei o que fazer”, queixa-se a criança. Do quarto colorido o cenário muda rapidamente para uma floresta negra. “Há um humano na minha floresta e eu não sei o que fazer”, queixa-se por sua vez a orangotango, que teve de fugir por estarem a “queimar as árvores para óleo de palma”.

O anúncio é dedicado “aos 25 orangotangos que perdemos todos os dias”, culpa da exploração intensiva e “insustentável” que destrói habitats. Só em 16 anos (1999 a 2015), também devido à caça, desapareceram mais de 100 mil exemplares desta espécie na ilha do Bornéu, no Sudeste Asiático. Desaparecimentos que podem ser irreversíveis e levar à extinção destes animais, avisam há mais de dez anos cientistas e associações de protecção animal.

“Decidimos fazer algo diferente com o nosso anúncio festivo e continuar a gerar consciencialização da desflorestação causada pela produção de óleo palma. É tão emocional”, explicou ao Guardian o fundador da Iceland, acrescentando que "já sabiam o risco de isto acontecer".

Em vez do anúncio que pode ser visto em cima, vão ser transmitidos clips de dez segundos a publicitar os produtos que têm à venda sem óleo de palma. O supermercado foi pioneiro no Reino Unido a prometer banir o óleo até ao fim de 2018 — e todo o plástico das embalagens até 2023 —, declarando-se “sem apetite para a extinção”.