Guitarra d’Alma presta homenagem à pianista Leonor Leitão-Cadete

O Festival Guitarra d’Alma vai homenagear na sua V edição a pianista Leonor Leitão-Cadete. Começa esta sexta-feira, em Almeirim, com um concerto de violino e guitarra portuguesa.

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Custódio Castelo, fundador e alma do festival PAULO PIMENTA

Já vai na V edição, o Festival Guitarra d’Alma, e este ano vai homenagear a pianista Leonor Leitão-Cadete, nascida em Almeirim em 1929 e mestre de várias gerações. Com sete dias de concertos, ao longo de três semanas, o festival começa hoje às 21h30, na Igreja do Divino Espírito Santos (Escolas Velhas) com um duo inusitado: o violino de Ianina Khmelik e a guitarra portuguesa de Francisco Pereira, à qual se juntará também a de Custódio Castelo, fundador do festival: “O nome junta dois termos de duplo sentido: alma de guitarra tocada com alma; e alma de Almeirim. É um festival inteiramente dedicado à guitarra portuguesa. Já fizemos mostras de instrumentos e na primeira edição fomos às escolas primárias e pedimos às crianças que construíssem ou pintassem, cada uma, uma guitarra portuguesa. Foi um êxito e um processo educativo, ao mesmo tempo.”

No primeiro dia, 9 de Novembro, há, pois, guitarra e violino: “A Ianina, uma violinista extraordinária, vai, junto com a guitarra portuguesa, tocar temas um bocadinho diferentes da abordagem clássica. E eu irei tocar com eles um tema que fizemos, que é a Miss morna, uma homenagem a Cesária Évora.” No dia seguinte, 10, o programa é outro: “Criámos um Ensemble de Guitarras, na ESART [Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, onde foi criada a primeira licenciatura de guitarra portuguesa], que vai sempre rodando no festival. Todos os anos temos alunos novos.” São eles que actuarão no segundo dia, na Associação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo (21h30). “Esse dia vai ser destinado a uma aula aberta: mostramos como mudar cordas, como fazer uma unha (um objecto pessoal, feito por cada tocador), fazemos um workshop onde cada aluno mostra o que aprendeu, os do 2.º ano mais avançados. Tem sido maravilhoso.”

Guitarra, acordeão, piano

Passados alguns dias, o festival regressa a 16, 17 e 19. Começa numa sexta-feira, com A Voz e a Guitarra, na Igreja Paroquial (21h30) juntando José Fanha, Guilherme Frazão e Custódio Castelo. “Será tudo poesia em volta da guitarra portuguesa, pelo José Fanha, mais um tema cantado pelo Guilherme Frazão: Guitarra, do Jorge Fernando. E eu tocarei para o José Fanha, em total improviso ao sabor das palavras como ele as sabe dizer.”

Dia 17, sábado, a guitarra portuguesa junta-se à guitarra clássica e ao acordeão, com João Vaz, João Chora e Vítor Moedas. “O Vítor é um músico local e exímio acordeonista. Vai, com o acordeão, tocar temas de fadistas (Amália, Carlos do Carmo), mas como se fosse uma voz, acompanhado à guitarra. Ao invés de ter guitarra, viola e baixo a acompanhar uma voz, eles estão aqui a acompanhar o acordeão.” Custódio Castelo já tinha feito essa experiência antes, num disco duplo que à data foi editado em cassete, com a acordeonista Eugénia Lima. “Chama-se O Acordeão Canta o Fado, saiu há uns 20 anos ou mais.” Será no Centro Cultural de Fazendas de Almeirim, pelas 21h30.

Domingo, dia 18, é a homenagem a Leonor Leitão-Cadete, no Cine-Teatro (17h). “Nós todos os anos homenageamos pessoas que estão ao serviço da música. Ela é da região (nasceu na Rua do Cine-Teatro) e é uma grande improvisadora, já esteve à frente do Conservatório, tem um currículo imenso. Um dia ela, que assistiu aqui a vários concertos do Guitarra d’Alma, disse-me: ‘Ainda gostava de improvisar sobre um tema seu.’ E eu respondi-lhe: ‘Pois vai ter de o fazer mas num propósito totalmente diferente.’ E ela, que toda a vida fez fados, vai mesmo improvisar sobre um tema meu. Além disso, irá tocar o que ela entender. E vai estar outro pianista, José Filomeno Raimundo, com um pormenor engraçado: foi ela que o examinou na prova final de curso, no Conservatório Nacional. No dia 18 vai tocar para ela e será ele a entregar-lhe a placa de homenagem.”

Um trio e uma trilogia

O festival termina no fim-de-semana seguinte, primeiro com o trio de José Manuel Neto (dia 23, no Cine-Teatro, às 21h30) e depois com o próprio Custódio Castelo a apresentar ao vivo a sua trilogia, composta pelos discos Tempus (2007), InVentus (2012) e Maturus (2018). “É um grande prazer, para mim e para o festival, termos o José Manuel Neto a tocar aqui, porque é um dos exímios guitarristas portugueses. Ele foi meu convidado no meu segundo trabalho discográfico, num tema de homenagem ao Fernando Maurício, e nós iremos fazer esse tema, como se fosse uma desgarrada entre duas guitarras.”

A trilogia servirá de encerramento ao festival, dia 24, também no Cine-Teatro, às 21h30. “Vou ter em palco as três guitarras portuguesas gravadas nesses discos. E vou usar cada uma consoante os temas, primeiro a que foi construída pelo Manuel Cardoso e depois as construídas pelo seu filho, Óscar Cardoso, a última juntando a guitarra de Lisboa e de Coimbra num só instrumento, numa só caixa de ressonância. E também encerro aqui um ciclo, porque o novo disco virá em Março.” Este concerto não será em solo absoluto, há outros músicos. “Consegui juntar o primeiro baixista que me acompanhou, o Fernando Maia, além do Carlos Garcia e do Pedro Ladeira. É uma formação clássica.”