Trabalhadoras da limpeza voltam à greve e à rua

Em Junho, saíram à rua centenas de trabalhadores da limpeza, sobretudo mulheres, a exigir mais direitos. Reivindicação mantém-se.

Em Junho, protesto tomou conta a Avenida da Liberdade
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Em Junho, protesto tomou conta a Avenida da Liberdade RITA RODRIGUES
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Seis meses depois de terem feito aquela que o sindicato diz ter sido a maior manifestação em 40 anos, os trabalhadores da limpeza regressam à rua e à greve esta sexta-feira pela mão do Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas (Stad). O Stad está, de resto, à espera que a greve e manifestação sejam maiores.

A greve nacional de 24 horas decorre desde a madrugada desta sexta-feira com o mesmo objectivo da de dia 22 de Junho, em que o Stad estima ter existido uma adesão de 75 a 80%: pressionar a associação patronal, a Associação Portuguesa de Facility Services (APFS), a rever o contrato colectivo de trabalho, algo que não é feito desde 2004, acusam. Vivalda Silva, dirigente sindical, disse ao PÚBLICO que está a receber telefonemas de alguns colegas a acusarem as suas empresas de as intimidarem a não fazer greve.

Segundo Fernando Sabino, director executivo da APFS, a associação quer negociar um contrato colectivo único para o sector mas está à espera que o Ministério do Trabalho publique a sua caducidade. E acusa o Stad de ter interrompido o processo.

“Os patrões continuam intransigentes” para “negociar a revisão do contrato colectivo de trabalho”, escrevem os sindicalistas no manifesto. Referem ainda que existem “inúmeras sentenças de processos em tribunal favoráveis aos trabalhadores que condenam os patrões” - em 2017 duas empresas de limpeza, a Safira e a ISS, foram obrigadas a pagar quase 500 mil euros a vários trabalhadores que os levaram ao tribunal.

Segundo o Stad, os processos referem-se a casos em que o patronato não cumpre o pagamento das horas nocturnas a 30% e a 50%; o pagamento dos feriados a 100% e a concessão de um dia de folga compensatória ou o pagamento dos domingos com acréscimo de 16% sobre a remuneração mensal bem como a violação do direito ao local de trabalho com “transferências abusivas feitas pelos patrões”.

Com uma massa de trabalhadores estimada em 35 mil e maioritariamente composta por mulheres, 70% delas empregadas a tempo parcial, segundo o Stad, esta é uma classe que não tem tradição de ir protestar para a rua, muito por causa da precariedade dos seus empregos. O Stad calcula que existam cerca de 150 empresas de limpeza industrial.

A manifestação em Lisboa começa no Marquês de Pombal, às 12h, e segue para a sede da APFS, no Conde Redondo, às 14h.

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