Trump apela à unidade e à boa cooperação bipartidária no Congresso

Presidente dos EUA está a dar uma conferência de imprensa sobre o resultado das eleições de quarta-feira. Fala em sucesso e diz que vai fazer mudanças no Governo, mas “nada em grande”.

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Reuters

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, espera unidade e boa cooperação bipartidária no Congresso que saiu das eleições de quarta-feira, em que o Partido Democrata recuperou a maioria na Câmara de Representantes, mas o seu Partido Republicano manteve o controlo do Senado.

Na conferência de imprensa que decorre na Casa Branca, e onde comenta os resultados, Trump disse esperar que os democratas tenham “ideias fantásticas”. 

 Trump disse que valorizará a possibilidade de trabalhar com os democratas para regulamentar as redes sociais, que no passado acusou de estarem a trabalhar contra ele e contra os conservadores. “Podem ser medidas dolorosas”, disse. 

“Acreditem ou não, gosto da liberdade de expressão. Muitos não o compreendem, mas sou um grande defensor disso. Quando começas a regulamentar, podem acontecer coisas más.”

Se os republicanos tivessem ganho por “dois ou três votos”, disse, teriam ficado “numa posição difícil”. “Mas agora o nosso caminho será melhor, porque os democratas terão de vir até nós com um plano para infra-estruturas, saúde, e negociaremos.” Disse que não concorda com os democratas, mas têm que se manter unidos.

“Pode ser uma bonita situação de cooperação entre os partidos”, afirmou.

Para Donald Trump, o Partido Republicano “desafiou a história” ao ganhar lugares no Senado. O Presidente explicou que o partido conseguiu essa vitória, “apesar” de uma desvantagem: os doadores encheram os cofres dos candidatos democratas. 

Ainda assim, acrescentou Trump, quarta-feira deu uma grande vitória aos republicanos, que com “uma vigorosa campanha travaram a onda azul”. O azul é a cor do Partido Democrata, que conquistou a maioria na Câmara de Representantes.

Quanto à Câmara de Representantes, a câmara baixa do Congresso, o órgão legislativo, o Presidente dos EUA lembrou que, em 2010, Barack Obama perdeu 63 lugares – comentava a perda de 27 lugares pelos republicanos. 

Explicou esta perda com o facto de, neste ano, um número elevado de congressistas republicanos se terem “reformado”. “Muitos saíram”, disse. 

O Presidente disse que teve “um enorme apoio” por parte do Partido Republicano. “A América está a crescer como nunca.”

Os eleitores, prosseguiu, “rejeitaram claramente” os senadores democratas depois do caso Brett Kavanaugh, o juiz do Supremo acusado de acusações de assédio sexual quando era adolescente cuja nomeação os senadores democratas tentaram travar.

Os jornalistas perguntaram a Turmp quanto ao muro que quer construir na fronteira com o México, para impedir a imigração ilegal. O Presidente respondeu que os democratas concordam que tem de haver um mudo. “Eu gostaria de ver o muro.”

Perguntaram-lhe também se o attorney general (equivalente a ministro da Justiça), Jeff Sessions, e o vice-attorney general vão manter o lugar. Trump respondeu: “Estou muito contente com a minha equipa de governo.” Mas não foi tão definitivo sobre o secretário do Interior, Ryan Zinke – disse que vai ver a situação.

Ainda assim, admitiu que vai haver mudanças no Governo, mas “nada em grande”.

Quanto à investigação de Robert Mueller à suspeita de interferência russa nas presidenciais de 2016, que lhe deram a vitória, Turmp disse que já podia ter encerrado há meses. “Já foram gastos muiutos milhões de dólares nesta investigação. Não houve conluio”, disse sobre a investigação que considerou “uma vergonha” que está a “prejudicar o país”.

Um jornalista perguntou a Trump o que aprendeu com as eleições de quarta-feira. “Penso que as pessoas gostam de mim, acho que as pessoas gostam do trabalho que estou a fazer.” Acrescentou que está focado no Senado e no “grande sucesso” nessa eleição.