Autarca de Caminha satisfeito após reunião com Governo sobre Plano da Orla Costeira

Miguel Alves, eleito pelo PS, apelou ao "bom senso em questões estruturantes".

O Plano, a concretizar em dez, prevê a demolição de construções na linha de praia
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O Plano, a concretizar em dez, prevê a demolição de construções na linha de praia Adriano Miranda

O presidente da Câmara de Caminha disse hoje à Lusa ter saído "satisfeito" da reunião realizada no Ministério do Ambiente que envolveu os municípios abrangidos pelo novo Plano da Orla Costeira, mas apelou ao bom senso em questões "estruturantes".

O autarca socialista adiantou que "uma das duas questões estruturantes" que colocou em cima da mesa, na reunião com o ministro João Pedro Matos Fernandes, ficou "salvaguardada", referindo-se "à protecção da costa contra a construção abusiva e à preservação das praias e da paisagem".

Miguel Alves, que falava à Lusa no final de uma reunião no Ministério do Ambiente, em que autarcas dos vários municípios abrangidos pelo novo plano deram conta à tutela das suas críticas ao documento, acrescentou ter apelado ao bom senso relativamente "à colmatação de espaços vazios na malha urbana e a adaptação do edificado".

"Esta questão estruturante motivou o voto contra do município porque atingia fortemente a zona a poente da linha do comboio em Vila Praia de Ancora", sustentou. O autarca afirmou que o ministro "avançou com uma proposta que vai ao encontro do pensamento do município e que vai ser burilada ao longo do prazo da discussão pública em curso".

Contactado pela agência Lusa, o presidente da Câmara de Viana do Castelo remeteu esclarecimentos sobre a reunião desta quarta-feira para o ministro do Ambiente e para o representante dos municípios, o presidente da Câmara de Espinho.

O novo Plano da Orla Costeira entre Caminha e Espinho, no qual é proposta a destruição de 34 edifícios, entre eles o Edifício Transparente no Porto, entrou em discussão pública na segunda-feira, por um período de 30 dias. O novo Plano limita, e em muitas zonas até proíbe, a construção de habitações em frente ao mar e preconiza o recuo planeado de 14 aglomerados, dos quais 12 estão em "áreas críticas" mais expostas a fenómenos extremos e ao risco de erosão e de inundações.